Disponível para audição na Web, sua trilha sonora carrega todas as tintas Pop que Coppola sabe bem formatar - e quem já assistiu seus filmes sabe quão interessante podem ser suas compilações. Mas embora o repertório escolhido seja alinhado ao tema (investindo basicamente em hip-hop e música eletrônica) e traga nomes para 'causar barulho' (como M.I.A.; Azealia Banks; Frank Ocean; e Kanye West - 'Power' aliás é uma das melhores faixas) é no trabalho instrumental composto pelo pouco conhecido Oneohtrix Point Never (projeto experimental do músico Daniel Lopatin) que o soundtrack ganha profundidade. Típico registro em baixa voltagem mas rico em texturas e reverberações, 'Ouroboros' é um tema que traduz um certo vazio melancólico, dentro da paisagem emocional caótica e cheia de distrações, mas que ao invés de soar pesada ou sufocante resulta num respiro reflexivo. É quando o barulho simplesmente silencia e o ouvinte flutua numa ambiência climática, propositalmente dispersiva, para enxergar com alguma nítidez o vazio dos próprios sonhos...
sábado, 13 de julho de 2013
Mal-estar na Civilização Vazia de Sonhos
Um dos filmes mais esperadas do ano, 'The Bling Ring - A Gangue de Hollywood' (2013) conta a história real de um grupo de adolescentes que invadia casas de famosos em Los Angeles para roubar produtos de marca e se divertir. A escolha das celebridades não era aleatória: eram todos jovens nos quais o grupo se espelhava, observando de longe em boates e casa noturnas que frequentavam. (Entre as inspirações - e que acabaram se tornando também suas vítimas - constam os nomes de Lindsay Lohan & Paris Hilton). O detalhe é que esses jovens não precisavam roubar para obter seus próprios mimos: todos eram filhos bem-alimentados da classe A (aliás, numa tradução livre, “Bling Ring” significaria “anel de brilhantes” ou “liga da ostentação” - nada mais justo!). Mais do que denunciar o abandono - específico - desses jovens (de pais ausentes; iludida pelos desejos da fama; e corroída por um vazio crônico que os faz acreditar que 800 amigos no Facebook faria alguém sentir-se mais bonito ou aceito), a cineasta Sofia Coppola utiliza suas histórias para produzir uma crônica de uma juventude rica, narcisista e obcecada por marcas e celebridades, e propor uma reflexão ao sistema de culto, comparando a todo momento assaltantes e assaltados, como frutos de uma mesma realidade. A incorporação (na narrativa do longa) da estética das redes sociais e reality shows - jorrando freneticamente imagens de celebridades e fotos de anônimos no Instagram - remonta não apenas a velocidade que as informações são transmitidas na internet, mas contextualiza o circulo vicioso (e ilusório) da necessidade de se auto-afirmar através da exposição - mais ainda: ostentar essa 'famosidade'. É como se a privacidade perdesse o sentido num mundo em que atores e socialites vivem da exposição – criando nos anônimos a cobiça pelo mesmo estilo de vida. Em suma: Sofia Coppola faz soar natural a invasão de privacidade num mundo regido por falsas intimidades, explorando uma tensão real e profundamente contemporâneas. Como disse a diretora na conferência de imprensa no Festival de Cannes (palco de sua estréia mundial): é um filme que não poderia ter sido feito 10 anos atrás!
Disponível para audição na Web, sua trilha sonora carrega todas as tintas Pop que Coppola sabe bem formatar - e quem já assistiu seus filmes sabe quão interessante podem ser suas compilações. Mas embora o repertório escolhido seja alinhado ao tema (investindo basicamente em hip-hop e música eletrônica) e traga nomes para 'causar barulho' (como M.I.A.; Azealia Banks; Frank Ocean; e Kanye West - 'Power' aliás é uma das melhores faixas) é no trabalho instrumental composto pelo pouco conhecido Oneohtrix Point Never (projeto experimental do músico Daniel Lopatin) que o soundtrack ganha profundidade. Típico registro em baixa voltagem mas rico em texturas e reverberações, 'Ouroboros' é um tema que traduz um certo vazio melancólico, dentro da paisagem emocional caótica e cheia de distrações, mas que ao invés de soar pesada ou sufocante resulta num respiro reflexivo. É quando o barulho simplesmente silencia e o ouvinte flutua numa ambiência climática, propositalmente dispersiva, para enxergar com alguma nítidez o vazio dos próprios sonhos...
Disponível para audição na Web, sua trilha sonora carrega todas as tintas Pop que Coppola sabe bem formatar - e quem já assistiu seus filmes sabe quão interessante podem ser suas compilações. Mas embora o repertório escolhido seja alinhado ao tema (investindo basicamente em hip-hop e música eletrônica) e traga nomes para 'causar barulho' (como M.I.A.; Azealia Banks; Frank Ocean; e Kanye West - 'Power' aliás é uma das melhores faixas) é no trabalho instrumental composto pelo pouco conhecido Oneohtrix Point Never (projeto experimental do músico Daniel Lopatin) que o soundtrack ganha profundidade. Típico registro em baixa voltagem mas rico em texturas e reverberações, 'Ouroboros' é um tema que traduz um certo vazio melancólico, dentro da paisagem emocional caótica e cheia de distrações, mas que ao invés de soar pesada ou sufocante resulta num respiro reflexivo. É quando o barulho simplesmente silencia e o ouvinte flutua numa ambiência climática, propositalmente dispersiva, para enxergar com alguma nítidez o vazio dos próprios sonhos...
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