Para quem ouviu os primeiros trabalhos da mineira Marina Machado as mudanças que suscederam ao longo de sua carreira pode causar estranheza. 'Baile de Pulga' (1999) seu disco de estréia, apresentava uma cantora pródiga em boas idéias. Por mais que o albúm fosse essencialmente de pop-rock, seu repertório propunha uma sutil conjugação de sons e ritmos de raízes afro-brasileiras e indígenas à tradições convencionais da canção, como rock e jazz. Um bom exemplo de sua intrépida abordagem está em 'Mayabe Ipô', faixa que ganhou registro em tupi-guarani sob adorno instrumental jazzistico! Com o lançamento de 'Tempo Quente' (2008), seu 3ºdisco, a direção inicial sofreu um desvio de rota, alterando sensivelmente seu trabalho.
Sua discografia que, até então, seguia na contramão da falta de originalidade (de outras cantoras) passou a ir de encontro ao que parecia mais distante a sua persona artistica: uma MPB convencional, confortável e acomodada numa ambiência (e canto) excessivamente 'cool', onde a preocupação maior é com a sofisticação musical. O que antes pulsava em inquietação foi, enfim, brutalmente arrefecido por tons delicados. E, como o lançamento do recente 'Quieto Um Pouco' (2013), esse estado de insustentável leveza promete permancer por tempo indeterminado. O problema não está na beleza melódica, à rigor, lindamente urdida em timbragens da MPB dos anos 70, mas à maneira como esta sonoridade soa mero arranjo caprichoso tentando encobrir um repertório nem sempre à altura do esmero instrumental. De fato, muitas destas canções vagam perdidas num pop anêmico e com pouco a dizer, mesmo que alguns letras evidenciem as razões das mudanças.
'Vagalumes' pinta um retrato poético e encantado de quem está prestes a se casar ('Tanto apartamento pra alugar/ Nosso casamento pra acontecer/ Um chá de panela pra esquentar/ Nosso amor e nosso bem-querer') e 'O Melhor Vai Começar' declara as benesses de se gerar um filho ('Você mostrou pra mim/ onde encontrar assim/ mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim/ e é tão gostoso ter os pés nos chão e ver/ que o melhor da vida vai começar'). Todo fruir ameno, de sentimentos sublimes, surgidos na fase pré-matrimônio e que costumam acompanhar também a maternidade, é momento realmente especial na vida de uma mulher (de um casal, enfim). A maternidade, aliás, fez muito bem a cantora, que adquiriu uma beleza madura e que agora contrasta com sua doce voz de menina. Mas é certo também que toda essa felicidade poderia ter rendido discos melhores. No fim, as transformações provocam uma boa e uma má notícia.
A ruim é que o repertório nem sempre criterioso, somado a ambiência de tons convencionais, resulta em grande parte insosso, nivelando a artista à tantas outras nessa nação de cantoras. A boa é que mesmo na irregularidade do conjunto, no período atual, há canções que merecem atenção. Caso de 'Candura', ótima composição do carioca Max de Castro (e de lindos versos como 'A vida é dura/ Mas ela só faz melhorar'); ou a urbana 'Simplesmente' (Simplesmente posso encontrar/ Qualquer distração, ruas da cidade/ Restos de uma feira/ Tomo um atalho no lago/ Só pra te perder'), ou ainda as baladas 'É Tarde' (da dupla Samuel Rosa e Chico Amaral), uma das melhores faixas do albúm 'Cosmotron' (2003) do Skank, e a já citada 'O Melhor Vai Começar' (do paulistano Guilherme Arantes, cuja obra têm sido redescoberta por uma geração de novas cantoras).
Mas é 'Quieto Um Pouco', composição de Maurício Pereira e Dino Vicente e que dá título ao albúm de Marina, que deixa entrever algum outono em meio esse cenário, por vezes, excessivamente ensolarado. De versos reflexivos, a canção tece letra sustentada mais em questionamentos do que certezas aprazíveis revelando, enfim, um salutar desconforto que pode surgir, em revés, mesmo dos melhores momentos da vida. 'Difícil notar a idade que eu tenho quando estou vivendo/ difícil dizer se é saudade que eu tenho quando estou sentindo/ difícil de crer a certeza que eu tenho quando estou tentando/ difícil conter tanta coisa que eu tenho quando estou vazio'. Está aí, nessas frases, os dilemas que a música da cantora enfrenta: em suma, achar um meio termo entre a felicidade de uma vida familiar e as fissuras de imperfeição nessa moldura idealizada.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
A Frieza da Primavera na Alemanha das Trevas
Enquanto toma banho e penteia o cabelo, Lore conta os passos de um jogo de amarelinha que leva do inferno até o céu. A irmã dela, Liesel, está brincando, fora de casa, quando o cão da família começa a latir. Elas estão na Alemanha nazista. Lore olha pela janela, e vê que um caminhão do Exército alemão chegou. Descendo a escada, ouve a mãe, Asta, e o pai, Peter, conversando. Ele diz que eles poderão levar apenas o que couber no caminhão. Asta não parece satisfeita. Em pouco tempo, Lore, Liesel, os gêmeos Gunter e Jürgen, e o bebê Peter fogem com a mãe. Este será apenas o início do calvário desta família de alemães, ou mais precisamente dos filhos dessa nação derrotada. A guerra acabou. Hitler se suicidou. É primavera na Alemanha das trevas. Os alemães foram finalmente vencidos. A adolescente Lore, filha de nazistas, uma princesa ariana, recebe a missão de guiar sozinha os irmãos pela floresta negra. Lore precisará crescer para sobreviver. O seu percurso pelas estradas enlameadas e pelas aldeias empobrecidas do País será uma entrada brutal na idade adulta e um adeus definitivo a uma inocência que, tarde demais, Lore compreenderá ser irrecuperável. Num enredo em tudo simbólico, a viagem de Lore em busca de sobrevivência será também um lento ‘abrir de olhos’ à uma realidade até então alienada, pelo filtro de uma educação ideológica. Cada passo deste percurso portanto confrontará a adolescente com a necessidade de, pela primeira vez, escolher o seu lado, tomar o seu partido.
Trabalhando sobre uma das três histórias contadas no livro ‘The Dark Room’, de Rachel Seiffert, o roterista Robin Mukherjee e a cineasta australiana Cate Shortland (aqui em seu segundo longa) criam um guião ousado e (o tempo todo) provocativo. Filmes sobre o Holocausto são feitos geralmente pela perspectiva do vilão nazista ou da vítima judia. Em ‘Lore’, são cinco crianças da família do vilão, mas eles são as vítimas, carregam os fatos do mundo nas costas. Ainda assim, paira a questão: a maioria do povo alemão (incluindo sua juventude) sabia o que estava acontecendo, de fato, (incluindo os campos de extermínio), ou eram enganados pela eficácia da propaganda nazista? Quantos se preocupavam mais com o êxito econômico do regime e ignoravam, propositalmente, a “limpeza racial” que acontecia paralelamente? São perguntas difíceis e que os roteristas sabiamente não tentam responder. E é justamente a volatilidade das incertezas que produzem as faíscas de sentimentos conflitantes no expectador. Essa mistura confusa entre querer se aproximar daquelas crianças (pela empatia do sofrimento ali vívido) na mesma medida que se quer distância (pela repulsa do fanatismo ideológico e atrocidades dos pais) é o que torna assistir ‘Lore’, enfim, uma experiência inquietante. Cate Shortland apresenta uma painel realista da Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. A acuidade aos detalhes imprime um tom de observação 'à quente', como se olhássemos os acontecimentos ocorrendo no calor do momento. O constrangimento no banho coletivo entre as mulheres, o pânico gerado pela onda de estupros, o suicídio como último ato de ‘dignidade’, os corpos em decomposição cheio das marcas de violência, a reação de choque e negação dos crimes de guerra cometidos no holocausto, a provável discordância entre os próprios alemães com os caminhos da ditadura de Hitler (num franco clima de “cada um por si e salve-se quem puder”), a falta de dinheiro, a fome desalentadora, a dependência de estranhos para conseguir comida e a “solidariedade” acompanhada de exigências. Este é um mundo apresentado em close-ups claustrofóbicos, onde a beleza das cores da natureza (captadas pela lindíssima fotografia de Adam Arkapaw) contrasta com a desolação de um cenário em ruínas e a desesperadora escuridão (da natureza) humana, capaz de atos tão abomináveis quanto animalescos.
Ambientando esta trama cheia de silêncios e sons abafados o compositor alemão Max Richter, de outros bons trabalhos como ‘Valsa Com Bashir’ (2008) & ‘A Chave De Sarah’ (2010), apresenta uma partitura alinhada ao conceito do longa. Seus temas - de andamentos vagarosos e baixíssimos tons - sublinham o desespero mantendo a emoção em rigorosa contenção. Em geral, são orquestrações em nada sentimentais (e, portanto, próximas do espírito alemão) que visam realçar sutilmente a tensão e não ressaltar o drama. Neste sentido, ‘The Dead Man’ é a faixa que melhor expressa essas idéias. ‘End Credits’, por sua feita, surge no soundtrack como espécie de baixa na guarda, depois de tanta frieza e distanciamento, oferecendo melódia com alguma emoção mais aflorada. Cabe a ‘After Gunter's Death, contudo, melhor representar o projeto. Com estilo envolvente, sua orquestração lembra um feixe de luz à incidir sob espessa escuridão mas sem conseguir penetrá-la completamente, apenas oferecer vislumbres em meio as sombras. É uma melodia que, embora emule um lado sentimental, não mede esforços em subjugar as emoções e mantê-las rigorosamente controladas. Seu arranjo pode soar frio, severo, até mesmo calculado, mas é desta resistência em não ceder as emoções (ou manipulações banais) que trilha sonora e filme adquirem uma beleza de pungência extraordinária.
Trabalhando sobre uma das três histórias contadas no livro ‘The Dark Room’, de Rachel Seiffert, o roterista Robin Mukherjee e a cineasta australiana Cate Shortland (aqui em seu segundo longa) criam um guião ousado e (o tempo todo) provocativo. Filmes sobre o Holocausto são feitos geralmente pela perspectiva do vilão nazista ou da vítima judia. Em ‘Lore’, são cinco crianças da família do vilão, mas eles são as vítimas, carregam os fatos do mundo nas costas. Ainda assim, paira a questão: a maioria do povo alemão (incluindo sua juventude) sabia o que estava acontecendo, de fato, (incluindo os campos de extermínio), ou eram enganados pela eficácia da propaganda nazista? Quantos se preocupavam mais com o êxito econômico do regime e ignoravam, propositalmente, a “limpeza racial” que acontecia paralelamente? São perguntas difíceis e que os roteristas sabiamente não tentam responder. E é justamente a volatilidade das incertezas que produzem as faíscas de sentimentos conflitantes no expectador. Essa mistura confusa entre querer se aproximar daquelas crianças (pela empatia do sofrimento ali vívido) na mesma medida que se quer distância (pela repulsa do fanatismo ideológico e atrocidades dos pais) é o que torna assistir ‘Lore’, enfim, uma experiência inquietante. Cate Shortland apresenta uma painel realista da Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. A acuidade aos detalhes imprime um tom de observação 'à quente', como se olhássemos os acontecimentos ocorrendo no calor do momento. O constrangimento no banho coletivo entre as mulheres, o pânico gerado pela onda de estupros, o suicídio como último ato de ‘dignidade’, os corpos em decomposição cheio das marcas de violência, a reação de choque e negação dos crimes de guerra cometidos no holocausto, a provável discordância entre os próprios alemães com os caminhos da ditadura de Hitler (num franco clima de “cada um por si e salve-se quem puder”), a falta de dinheiro, a fome desalentadora, a dependência de estranhos para conseguir comida e a “solidariedade” acompanhada de exigências. Este é um mundo apresentado em close-ups claustrofóbicos, onde a beleza das cores da natureza (captadas pela lindíssima fotografia de Adam Arkapaw) contrasta com a desolação de um cenário em ruínas e a desesperadora escuridão (da natureza) humana, capaz de atos tão abomináveis quanto animalescos.
Ambientando esta trama cheia de silêncios e sons abafados o compositor alemão Max Richter, de outros bons trabalhos como ‘Valsa Com Bashir’ (2008) & ‘A Chave De Sarah’ (2010), apresenta uma partitura alinhada ao conceito do longa. Seus temas - de andamentos vagarosos e baixíssimos tons - sublinham o desespero mantendo a emoção em rigorosa contenção. Em geral, são orquestrações em nada sentimentais (e, portanto, próximas do espírito alemão) que visam realçar sutilmente a tensão e não ressaltar o drama. Neste sentido, ‘The Dead Man’ é a faixa que melhor expressa essas idéias. ‘End Credits’, por sua feita, surge no soundtrack como espécie de baixa na guarda, depois de tanta frieza e distanciamento, oferecendo melódia com alguma emoção mais aflorada. Cabe a ‘After Gunter's Death, contudo, melhor representar o projeto. Com estilo envolvente, sua orquestração lembra um feixe de luz à incidir sob espessa escuridão mas sem conseguir penetrá-la completamente, apenas oferecer vislumbres em meio as sombras. É uma melodia que, embora emule um lado sentimental, não mede esforços em subjugar as emoções e mantê-las rigorosamente controladas. Seu arranjo pode soar frio, severo, até mesmo calculado, mas é desta resistência em não ceder as emoções (ou manipulações banais) que trilha sonora e filme adquirem uma beleza de pungência extraordinária.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
A Gênese da Emoção
Tenho uma dívida eterna com o cineasta brasileiro Karim Ainoüz por me apresentar o alemão Peter M. Kersten, ou como é conhecido nas pistas, o Dj Lawrence. Utilizando um dos temas do artista no magnífico 'O Cêu de Suely', o diretor provou ser um ouvinte atento, escolhendo à dedo uma canção praticamente obscura, mas perfeita para pontuar os conflitos da protagonista de seu filme. Expoente do chamado 'Minimal Techno', uma variação desacelerada e 'emocional' da música eletrônica, o gênero encontra no músico talvez seu maior expoente. Este estilo costuma substituir o ritmo (dançante) pelas harmonias climáticas, buscando estimular o con-tato sensorial em detrimento da racionalização excessiva na música. Em geral, é um tipo de produção que exige sucessivas audições para perceber - e melhor apreciar - uma intrincada amálgama de linhas e camadas sonoras. É também uma proposta arriscada pois as possibilidades desse conceito se tornar tanto uma manipulação brilhante das emoções inconscientes (através de ecos eletrônicos) como num decalque de experimentalismo pedante (urdido pela repetição infinita de fraseados melódicos) é extremamente tênue. O próprio Lawrence não conseguiu escapar desse risco, incorrendo fatalmente na 2ªopção com os últimos trabalhos. 'Until Then, Goodbye' (2009) & o recente 'Films And Windows' (2013) são albúns cujo repertório mais cansam que inebriam o ouvinte. Possuem poucos momentos de vislumbre à verve dos primeiros discos.
Já foi dito que Lawrence é um criador de sonhos, devido a arquitetura imagética e onírica de suas canções. Quem entrou em contato com suas primeiras obras não ousa discordar, neste caso, já que é exatamente essa impressão deixada depois de ouví-las. Em 'Somebody Told Me', tema extraordinário do ótimo álbum ‘The Absence Of Blight’ (2003), e que faz parte da trilha do longa ‘O Céu de Suely’, o artista cria uma concha harmônica para acalentar o ouvinte enquanto o conduz calmamente para um cenário de sentimentos no escuro. Mas perscruta cada canto da alma de maneira tão obstinada que chega a contrariar toda sua subjetividade. A tenacidade e minimalismo com que suas texturas eletrônicas vasculham o inconsciente emocional, contudo, não servem como um farol em meio a escuridão (afim de obter, por exemplo, revelações como resposta). Antes enreda o ouvinte por uma viagem particular, a um ponto remoto, tendo como destino a gênese das emoções esquecidas (e cujas lembranças nem sempre é fácil de ser retomada).
Já foi dito que Lawrence é um criador de sonhos, devido a arquitetura imagética e onírica de suas canções. Quem entrou em contato com suas primeiras obras não ousa discordar, neste caso, já que é exatamente essa impressão deixada depois de ouví-las. Em 'Somebody Told Me', tema extraordinário do ótimo álbum ‘The Absence Of Blight’ (2003), e que faz parte da trilha do longa ‘O Céu de Suely’, o artista cria uma concha harmônica para acalentar o ouvinte enquanto o conduz calmamente para um cenário de sentimentos no escuro. Mas perscruta cada canto da alma de maneira tão obstinada que chega a contrariar toda sua subjetividade. A tenacidade e minimalismo com que suas texturas eletrônicas vasculham o inconsciente emocional, contudo, não servem como um farol em meio a escuridão (afim de obter, por exemplo, revelações como resposta). Antes enreda o ouvinte por uma viagem particular, a um ponto remoto, tendo como destino a gênese das emoções esquecidas (e cujas lembranças nem sempre é fácil de ser retomada).
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Emoção Genuína em Meio ao Clichê
Um dos artifícios para rápida identificação de personagens em novelas é recorrer a uma canção. Quanto mais básica e de fácil assimilação melhor. Se os papéis da história a ser contada serem de um casal a escolha, portanto, será de uma inevitável balada. O novo folhetim das 18hs, 'Jóia Rara', que estreou no último dia 16, recorre a esse manjadíssimo artifício (qual novela, afinal, não se utilizará dele?) mas o faz com alguns acertos. À começar, pela escolha de um tema quase desconhecido do grande público. 'Nascente' é, na verdade, um dos destaques do albúm 'Clube da Esquina 2' (1978), continuação do clássico lançado em 1972. A letra composta por Murilo Antunes e Flavio Venturini é um pequeno poema, derramado em lirismo, onde a elegia amorosa se converte numa inusitada referência aos prazeres físicos - o amor púdico e contemplativo de uma clara estrela convertido em pulsações de desejos e paixões, ardentes. Por fim, a interpretação sempre impecável do cantor Milton Nascimento garante a música aquele tipo de registro emocional comedido, discreto e sem resvalar (jamais) ao sentimenlismo banal. Essas qualidades contam muito quando o assunto é novela, um gênero que não prima pela sutileza no trato das emoções. Idealmente, espera-se que a canção não venha sofrer pela reprodução exaustiva como invariavelmente acontece nos folhetins (e de quebra, também fazer o público sofrer com a modorra!). E verdade seja dita, por maiores que sejam as qualidades de uma canção, ela dificilmente resiste a estrutura suscessiva, repetitiva, somada tanta manipulação emocional. Portanto, espere transformar o amor que possa sentir pela canção em verdadeiro ódio nos próximos meses! Enquanto isso não ocorre, tendo em vista o frescor da novidade, é possível apreciar (sem reservas) a junção habilidosa, realizada pela competente diretora Amora Mautner, entre imagem (lindamente fotografada), melódia e (belas) vozes. O video abaixo comprova, enfim, a máxima de que um bom tema (quando bem utilizado) pode, sim, transformar a simplicidade de um instante (ou mesmo clichê) num momento luminoso, quase arrebatador. E definitivamente, este é o caso da canção e da cena em destaque.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Com A Febre Da Malária
Produzido pela dupla Edson Oda e Alexandre Tommasi, o curta 'Malária' combina técnicas diversas - como quadrinhos, origami, kirigami (arte de cortar papéis), time-lapse (quando os frames do vídeo são capturados entre longos intervalos), ilustrações de nanquim (desenhos que exploram as variações de claro-escuro através das mudanças de densidade) e animação (sim, é pra ficar sem folego mesmo!) - com um roteiro alucinante, onde um jovem mercenário é contratado para matar a Morte e evitar o fim de uma garota que sofre de malária. O que torna o video mais que um mero exercício cinematografico (e franca emulação aos trabalhos do aclamado Quentin Tarantino - sobretudo no uso das músicas de western à la Ennio Morricone e o ritmo frenético da narrativa) é a criatividade sem distinção que aplica na impecável 'mobilidade' da história (com as mãos do diretor guiado os quadros, ligando agilmente um ponto da história ao seguinte) quanto na construção de um enredo relativamente simples mas cuja temporalidade e ironia se mostra refinada. É possível apontar alguma semelhança na temática do roteiro com a apresentada no livro 'As Intermitências da Morte', de José Saramago, onde também se discute a dependência da morte para a manutenção do mundo, mas é preciso reconhecer que o filme é original e tem um desfecho diferente, até pela (curta) duração. Com sua paixão indisfarçável pelo estilo Tarantinesco, Edson Oda (autor do roteiro) faz bela homenagem ao cineasta, burilando ao fim um dialógo sensacional, tal qual o mestre, onde a morte (ou melhor “O” Morte, com vozeirão do excelente dublador Antonio Moreno), reflete sua 'importância' para a humanidade, e não deixa bala sobre bala no tambor de seu revolver. Eis os estilhaços de sua setença: 'Se você me matar em 500 anos não haverá mais espaço para tanta gente na Terra. As pessoas vão se decompor nas ruas. O mundo estará doente, faminto, implorando por morte, ninguém poderá morrer. Suponhamos que você me mate agora, o que você vai fazer amanhã, ordenhar cabritos? Pense: você só recebe o seu ouro quando mata outra pessoa. Sem mim ninguém vai morrer. Eu te dou emprego amigo, demonstre mais gratidão. Tantas moedas de ouro você já não ganhou por minha causa. Aproveite bem essas 30 moedinhas que vão ser as últimas que você vai ganhar, ordenhador de cabritos!'. Maldita Malária!
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Pouco a Pouco, as Dores viram Água... viram Memória
Numa decisão difícil, arriscada e necessária uma mulher mergulha
novamente nas águas escuras da tragédia, as mesmas que sua irmã um dia se
afagara, em busca de alguma limpidez, purificação e diluição de suas dores.
Narrado em primeira pessoa e, portanto, suscetível as acusações de que sua
representação não passa de mero exercício egocêntrico (ainda mais considerando
tratar-se de um acontecimento familiar), o que impressiona no documentário
'Elena' (2013) é justamente a maneira como torna uma história intima e muito
particular tão próximo do expectador, reverberando em múltiplos significados e,
sim, provocando o choque da ruptura e relações interrompidas. Numa análise
óbvia (e talvez preguiçosa) o filme serve como metáfora da vida, onde os
momentos de desespero são inevitáveis, mas que ainda sim, não importando o
tamanho da tragédia, cabe a nós permitir filtrar toda a tristeza, todo o
desespero, toda a loucura de uma dor insana. Atravessar travessias,
interpéries, enquanto incessantemente se é atravessado, até conseguir emergir a
superfície para continuar a viver. Na cena que melhor ilustra o encontro das
'memórias inconsoláveis' (e individuais da diretora Petra Costa) com um oceano
de outras mulheres (outras histórias, outras tragédias) e o processo final do
luto, têm-se o segundo grande momento na
junção entre imagem + música do filme. “Turn To Water”, cantada pela americana
Maggie Clifford, possui letra inspirada num trecho de uma novela de Guimarães
Rosa chamada Dão-Lalalão, publicada no livro “Corpo de Baile”. “Estou adoecida
de amor. Põe a mão… em mim… viro água”, diz o texto e, também, a letra.
Evocando o ar etéreo que se segue à brutalidade emocional da perda, a canção é
um lullaby delicado e algo sombrio, cujos acordes - que parecem cair feito
gotas, trepidando e ressoando ondas sutis num rio sereno - lembram também um
prenúncio (um anúncio de transformação). Já as imagens possuem um poder
imagético mais eloqüente (e porque não assombroso), tornando uma pequena
correnteza num mar de mulheres flutuando entrelaçadas, como representando a
resiliência do espírito humano diante da tragédia. “Se ela me convence que a
vida não vale a pena, eu tenho que morrer com ela”, diz uma voz. E para não pôr
fim à própria vida, Petra precisara enfim encenar sua própria morte, a morte
dela e de Elena, formulando sentido para aquilo que não tem nenhum e renascendo
de novo no líquido (uterino?) cujas águas mais parecem lágrimas.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
O Sexto Sentido
Todos os anos, o cinema costuma oferecer expressões que caem no gosto popular, seja pelos seus significados ou pela identificação que carregam em relação a personagens e situações. Em 1999, não se falou outra frase além de "I see dead people", a dolorosa confissão de um garoto atormentado por visões. O curioso é que esta não é, nem de longe, a revelação mais desconcertante de 'O Sexto Sentido', filme dirigido pelo indiano M. Night Shyamalan. Na verdade, toda sua história parece saído de uma assustadora sessão espírita. O longa narra a trajetória do Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis), um psicólogo infantil. Ele tenta se livrar da culpa provocada pelo suicídio de um paciente tratando de outro muito parecido, o garoto Cole (Haley Joel Osment). Cole é tido como um esquisito incapaz de se relacionar socialmente. A causa de seu sofrimento, porém, é inesperada. "Eu vejo pessoas mortas", anuncia o garoto ao terapeuta. É interessante rever a fita e observar a eficácia com que Shyamalan, autor também do roteiro, consegue distribuir todas as pistas importantes da trama sem enganar o expectador. A história é tão bem contada que simplesmente não percebemos a verdadeira situação dos personagens. O que torna seu desfecho algo acachapante (uma das maiores reviravoltas do cinema no final do anos 90). A escolha dos atores é outro achado. Donnie Wahlberg, irmão do também ator Mark Wahlberg, e ex-New Kids on the Block, surpreende como um antigo paciente transtornado por alucinações. Bruce Willis interrompeu a sequência de interpretações no piloto-automático (a maioria em filmes de ação) para abraçar um estilo dramático insuspeito. Toni Collete, essa atriz singular de filmes igualmente únicos - como 'O Casamento de Muriel' (1994); 'Velvet Goldmine' (1998) & 'Pequena Miss Sunshine (2006) - é um arraso. Seu desespero por não saber como ajudar o próprio filho é comovente. Por fim, temos Haley Joel Osment, um dos mais extraordinários atores mirins da história do cinema. Osment impressiona tanto pela precocidade quanto pela capacidade notável de projetar sofrimento e inteligência. É bem possível creditar parte do sucesso do longa a sua atuação. O próprio M. Night Shyamalan reconheceu: " (...) em todos bons filmes há um elementos de 'magia' que simplesmente não pode ser reproduzido. Nesse caso, Harley é a nossa mágia". Somado ao ótimo desempenho do elenco, o que faz com que a fita ganhe a platéia é seu equilíbrio entre pregar sustos genuínos mas sem perder de vista o aspecto humano. Afinal, o sofrimento de Cole pode originar-se tanto no plano espírita quanto na tortuosamente terrena solidão.
Sutilíssima!
Há pelo menos dois grandes momentos envolvendo imagem e música no documentário 'Elena' (2013). Num deles, a cineasta Petra Costa dança no meio da rua, em meio as luzes difusas dos postes, como um dia fizera sua irmã (que como breve feixe de luz apagou abrupta, deixando lacuna de imensa e assustadora escuridão em sua família). A cena em questão ganha vida através das notas sensíveis de Vitor Araújo, jovem pianista pernambucano que empresta a sua 'Valsa Pra Lua' para o longa-metragem. O artista ganhou projeção no cenário musical pelo estilo performático de suas apresentações - e por ter provocado uma discussão inútil no meio acadêmico erudito por conta da forma pouco ortodoxa com que encara partituras de músicas e compositores clássicos. A capa do albúm 'TOC' (2008) dá uma idéia de seu estilo 'descontraído' onde, remetendo ao inglês Jamie Cullum, o moço - digamos - acentua sua jovialidade tocando o piano sentado e em pé (com as mãos e com os pés!). Os defensores dos valores conservadores esqueceram, contudo, de avaliar o trabalho do artista além do barulho oco amplificado pela polêmica. E a delicada 'Valsa pra Lua' é prova de sua técnica e talento como pianista. O tema carrega algumas influências - as mais perceptíveis do maestro Philip Glass, em especial o score realizado no filme 'As Horas' (2002), e um certo clima da chanson francesa maravilhosamente trabalhada pelo compositor Yann Tiersen em 'O Fabuloso Destino de Amélie Poulain' (2001) - mas nada que tire o brilho particular desta bela melódia com quase 7 minutos de duração! Muito porque seu clima outonal, de folhas despencando de uma velha árvore, possue uma subjetividade que se adequa bem a transição de um estado de coisas - do raio de sol para um céu de chumbo, da flutuação num ponto delicado a um corte abrupto, das lembranças que confortam as emoções que sufocam. A música - auxiliada pelas imagens e um pequeno poema na cena citada acima - complementa enfim, e com superlativa exatidão, a valsa sutilíssima de Petra Costa e os extremos de sua emoção: "As memórias vão com o tempo, se desfazem, mas algumas não encontram consolo, só algum alivio nas pequenas brechas da poesia. Você... é a minha memória inconsolável, feita de pedra e de sombra. E é dela que tudo nasce e dança".
domingo, 4 de agosto de 2013
O Caos Sussurrado
Produzida para o álbum ‘Coexist’ (2012), segundo trabalho da banda The XX, ‘Angels’ pertence aquele tipo de canção cuja suavidade sugere emoções aprazíveis e outras amenidades. De fato, sua harmonia delicada e vocal sussurrado constrói uma elegia as melodias silenciosas, e seu romantismo se pontua em recatada timidez. Causa espanto, portanto, sua capacidade em precipitar um mundo violento escondido abaixo da superfície. Como se a delicadeza dum veio d´água se transformasse em ondas gigantescas, invadindo a banalidade comum dos dias, arrastando-mergulhando-revolvendo- e-afogando corpo e alma num revolto mar de lembranças. Flutuando perdido em águas escuras - entre pequenos detalhes, fragmentos de imagens, cenas e emoções - o incauto ouvinte sente o peso de uma força turva arrastá-lo para as profundezas, matando-o e revivendo-o à cada nova audição. De onde vem essa energia estranha e desmedida, e que torna a memória numa vastidão tão perigosa, que liberta e aprisiona ao mesmo tempo? É absolutamente intrigante tentar encontrar uma resposta, um ponto de fuga entre tanta devastação num fim de noite ordinário. Seja qual for a explicação, contudo, ela não daria conta em articular as sensações - de desmoronamento, ruína e sobrevivência – dentro de um mundo em flutuação. Talvez as palavras do suiço Charles Ferdinand Ramuz se aplique a tanta subjetividade. Ele diz: "Todo o segredo da arte é saber ordenar as emoções desordenadas, mas ordená-las de tal modo que se faça sentir ainda melhor a desordem". Para uma canção tão superlativa quanto ‘Angels’ o intrincado que denota incerteza é tão importante quanto uma resposta que a justifique e esclareça. Mas é certo que há, aqui, uma verdade comum e que mesmo soterrada entre os escombros de destruição, e no rastro de fumaça deixado para trás, não demora ter sua certeza fosca enfim nítida: a imagem degradada dos sonhos e amores que se perderam e que não existem mais - apenas na memória.
Atenção - Censura Máxima aos de Sensibilidade Religiosa
Não seria exagero concluir que o paulistano Rafael Castro esperou a vinda do Papa ao Brasil para lançar o videoclipe da canção 'Surdo Mudo'. Engrossando o coro dos insatisfeitos na cobertura exaustiva do Pontíficie em sua 'Jornada Mundial da Juventude', o artista parece inclinado a semear insidiosa serpente nesse paraíso idealizado de fé, mas sob o disfarce de uma espirituosa brincadeira. No video, Castro – em uma curiosa representação de Jesus Cristo -, sofre uma espécie de conversão (ou penitência) à forceps. Perseguido por fanáticos de diversas correntes do cristianismo, o sujeito é enforcado com um terço, agredido com uma cruz, leva tapa com uma Bíblia na cara, tem o dinheiro roubado e tenta a todo custo se livrar das amarras impostas pela instituição religiosa. Em vão. É possível apontar certa limitação que a critica direta a Igreja impõe na canção, já que sua letra permite leituras mais variadas. Mas até mesmo o senso de oportunidade do artista adquire, ele próprio, o tom de (outra) provocação - no caso, ao cenário pop brasileiro, atrofiado pela pobreza de discurso e deficiência de idéias musicais. A opção pelo tema religioso, aliás, é justificada com humor. “Após meses de produção, lutas ideológicas contra o Vaticano e a bancada evangélica brasileira, curas gays e estatutos dos nascituros, vem à luz (e até o Papa veio ver!) o videoclipe de SURDO MUDO!!”, diz a mensagem no site oficial do cantor! Mas não se engane. O divertimento proposto pelo músico esta longe de ser ingênuo e vem do espírito (endiabrado) que toda brincadeira contêm um grande fundo de verdade.
Pudor na Nudez... Sincera dos Sentimentos
Um filme como "Bruna Surfistinha" (2011) não convida o espectador esperando dele grandes expectativas e, talvez por isso, a experiência de assistí-lo resulte... boa. É bem verdade, contudo, que o longa recorre a um enredo linear (e muito simplista) ao apresentar a história da jovem Raquel Pacheco, filha adotativa mas bem-criada da classe média, aluna de escolas tradicionais da elite paulistana (São Luís e Bandeirantes), e que um dia sai de casa e decide virar garota de programa. Da adolescente tímida e deslocada à ascensão no mundo da prostituição (quando adota o nome do título e passa a publicar num blog suas aventuras com clientes), o roteiro toma atalhos para explicar os motivos que a levaram a escolher essa vida. Em 'O Doce Veneno do Escorpião', livro que serviu de base para essa adaptação (muito livre, diga-se), conhecemos uma adolescente bem nascida e cleptomaníaca, que usa roupas da moda e parece tratar o sexo como rebeldia, masturbando garotos em baladas. No filme, nas poucas cenas do "passado", Raquel tem dinheiro negado pelo pai, não sai à noite e, quando rouba, o roteiro a perdoa: é por questão de vingança e não compulsão! A vitimização da personagem se estende às cenas no presente. Outro exemplo: no livro, Bruna dá a entender que deixou o privê onde convivia com outras garotas de programa porque quis; no filme, ela sai martirizada, expulsa por assumir uma culpa que não teve. Essa insistência em simplificar carências e sentimentos confusos (mas legítimos) termina reforçando uma imagem de fragilidade e frivolidade que tem, ironicamente, muito de machista. Cabe ressalvas também ao dia-a-dia da profissão, mostrado aqui sem julgamentos, mas se prendendo meramente às curiosidades de sua rotina. Assistimos a tudo como tépidos voyeurs, se divertindo até, mas se incomodando por que o enredo limita-se aos lugares comuns.
Com tantas falhas estruturais no roteiro, é surpreendente que o filme não tenha virado um genuíno abacaxi! E se isso não acontece muito se deve ao diretor estreante em longas-metragens Marcus Baldini. Egresso da publicidade e do mercado de videoclipes, ele mostra segurança ao aplicar idéias e desenvolver o talento de sua equipe. A utilização da trilha sonora como elemento narrativo é um (bom) exemplo – canções como "Street Spirit (Fade Out)" e "Creep", do Radiohead, são citadas em cenas curtas mas pontuais. O mesmo pode ser dito no trabalho realizado como os atores. Os coadjuvantes em especial estão todos muito bem, com destaque para Drica Morais (uma atriz que dispensa referências), Fabíola Nascimento (de "Estômago") e Guta Ruiz (da série "Alice", da HBO). Nada evidencia a eficácia do cineasta, contudo, do que a maneira como conduz a atuação de sua protagonista. Habilidoso, Baldini consegue um pequeno feito ao amenizar a afetação que costuma caracterizar as performances dramáticas da atriz Deborah Secco - e que corresponde em momentos de real sinceridade. Mesmo recorrendo a algumas caras & boca, além de certa respiração arfante (bem típicas da moça), notasse uma atuação esforçada e que vai evoluindo com a personagem (é fato consumado, contudo, - e o recente seriado 'Loucos Por Ela' deixou bem claro: seu verdadeiro timing é mesmo para a comédia). Cercado de (boas, e principalmente, más) expectativas quando estreou nos cinemas, a obra se tornou rapidamente um sucesso de bilheteria (e como não poderia deixar de sê-lo?). O inesperado porém, era que mesmo sem a força para figurar entre os melhores do ano, o filme estava longe de ser a bomba que grande parte do público e mídia esperavam. Para quem não viu, vale uma olhadela (ainda que seja nos 'Supercine's da vida).
Com tantas falhas estruturais no roteiro, é surpreendente que o filme não tenha virado um genuíno abacaxi! E se isso não acontece muito se deve ao diretor estreante em longas-metragens Marcus Baldini. Egresso da publicidade e do mercado de videoclipes, ele mostra segurança ao aplicar idéias e desenvolver o talento de sua equipe. A utilização da trilha sonora como elemento narrativo é um (bom) exemplo – canções como "Street Spirit (Fade Out)" e "Creep", do Radiohead, são citadas em cenas curtas mas pontuais. O mesmo pode ser dito no trabalho realizado como os atores. Os coadjuvantes em especial estão todos muito bem, com destaque para Drica Morais (uma atriz que dispensa referências), Fabíola Nascimento (de "Estômago") e Guta Ruiz (da série "Alice", da HBO). Nada evidencia a eficácia do cineasta, contudo, do que a maneira como conduz a atuação de sua protagonista. Habilidoso, Baldini consegue um pequeno feito ao amenizar a afetação que costuma caracterizar as performances dramáticas da atriz Deborah Secco - e que corresponde em momentos de real sinceridade. Mesmo recorrendo a algumas caras & boca, além de certa respiração arfante (bem típicas da moça), notasse uma atuação esforçada e que vai evoluindo com a personagem (é fato consumado, contudo, - e o recente seriado 'Loucos Por Ela' deixou bem claro: seu verdadeiro timing é mesmo para a comédia). Cercado de (boas, e principalmente, más) expectativas quando estreou nos cinemas, a obra se tornou rapidamente um sucesso de bilheteria (e como não poderia deixar de sê-lo?). O inesperado porém, era que mesmo sem a força para figurar entre os melhores do ano, o filme estava longe de ser a bomba que grande parte do público e mídia esperavam. Para quem não viu, vale uma olhadela (ainda que seja nos 'Supercine's da vida).
sábado, 3 de agosto de 2013
07/07
"(...) Galgando rochas e pedras,
firmando os pés no barro úmido da terra;
seguindo o sopro cálido dos ventos,
o murmurar d'água de um veio barrento.
Os raios de sol invadiam a escuridão
transluzindo o caminho da trilha
fechada por dentro da mata.
A iluminação incindindo sobre as árvores
diluia o tom escurecido das folhagens;
a luz clara e leitosa,
transformava galhos em ramificações viçosas.
Naquele mundo de cores e solidão particular,
tudo tinha um encantamento simbólico...
Nem as muitas pessoas lotando a estrada incomodavam.
Fora atrás de uma imagem - o topo daquela montanha
- além de algum sentimento perdido,
e acho que, de certo modo, o encontrei novamente.
A cidade vista do alto,
o ser humano pequenininho...
os pensamentos que demandavam intensidade
de repente, arrefeceram todos, ou amenizaram os sentidos.
Os problemas foram ficando pelo caminho,
como camadas de roupa arrancadas do corpo
pelo incomodo do calor produzido durante o percurso.
Tudo se tornara, enfim, menos plangente.
De fato, o que carregava
quando chegara no alto daquele pico,
não era mais do que precisava.
Tinha comigo apenas o essencial".
firmando os pés no barro úmido da terra;
seguindo o sopro cálido dos ventos,
o murmurar d'água de um veio barrento.
Os raios de sol invadiam a escuridão
transluzindo o caminho da trilha
fechada por dentro da mata.
A iluminação incindindo sobre as árvores
diluia o tom escurecido das folhagens;
a luz clara e leitosa,
transformava galhos em ramificações viçosas.
Naquele mundo de cores e solidão particular,
tudo tinha um encantamento simbólico...
Nem as muitas pessoas lotando a estrada incomodavam.
Fora atrás de uma imagem - o topo daquela montanha
- além de algum sentimento perdido,
e acho que, de certo modo, o encontrei novamente.
A cidade vista do alto,
o ser humano pequenininho...
os pensamentos que demandavam intensidade
de repente, arrefeceram todos, ou amenizaram os sentidos.
Os problemas foram ficando pelo caminho,
como camadas de roupa arrancadas do corpo
pelo incomodo do calor produzido durante o percurso.
Tudo se tornara, enfim, menos plangente.
De fato, o que carregava
quando chegara no alto daquele pico,
não era mais do que precisava.
Tinha comigo apenas o essencial".
sábado, 13 de julho de 2013
Mal-estar na Civilização Vazia de Sonhos
Um dos filmes mais esperadas do ano, 'The Bling Ring - A Gangue de Hollywood' (2013) conta a história real de um grupo de adolescentes que invadia casas de famosos em Los Angeles para roubar produtos de marca e se divertir. A escolha das celebridades não era aleatória: eram todos jovens nos quais o grupo se espelhava, observando de longe em boates e casa noturnas que frequentavam. (Entre as inspirações - e que acabaram se tornando também suas vítimas - constam os nomes de Lindsay Lohan & Paris Hilton). O detalhe é que esses jovens não precisavam roubar para obter seus próprios mimos: todos eram filhos bem-alimentados da classe A (aliás, numa tradução livre, “Bling Ring” significaria “anel de brilhantes” ou “liga da ostentação” - nada mais justo!). Mais do que denunciar o abandono - específico - desses jovens (de pais ausentes; iludida pelos desejos da fama; e corroída por um vazio crônico que os faz acreditar que 800 amigos no Facebook faria alguém sentir-se mais bonito ou aceito), a cineasta Sofia Coppola utiliza suas histórias para produzir uma crônica de uma juventude rica, narcisista e obcecada por marcas e celebridades, e propor uma reflexão ao sistema de culto, comparando a todo momento assaltantes e assaltados, como frutos de uma mesma realidade. A incorporação (na narrativa do longa) da estética das redes sociais e reality shows - jorrando freneticamente imagens de celebridades e fotos de anônimos no Instagram - remonta não apenas a velocidade que as informações são transmitidas na internet, mas contextualiza o circulo vicioso (e ilusório) da necessidade de se auto-afirmar através da exposição - mais ainda: ostentar essa 'famosidade'. É como se a privacidade perdesse o sentido num mundo em que atores e socialites vivem da exposição – criando nos anônimos a cobiça pelo mesmo estilo de vida. Em suma: Sofia Coppola faz soar natural a invasão de privacidade num mundo regido por falsas intimidades, explorando uma tensão real e profundamente contemporâneas. Como disse a diretora na conferência de imprensa no Festival de Cannes (palco de sua estréia mundial): é um filme que não poderia ter sido feito 10 anos atrás!
Disponível para audição na Web, sua trilha sonora carrega todas as tintas Pop que Coppola sabe bem formatar - e quem já assistiu seus filmes sabe quão interessante podem ser suas compilações. Mas embora o repertório escolhido seja alinhado ao tema (investindo basicamente em hip-hop e música eletrônica) e traga nomes para 'causar barulho' (como M.I.A.; Azealia Banks; Frank Ocean; e Kanye West - 'Power' aliás é uma das melhores faixas) é no trabalho instrumental composto pelo pouco conhecido Oneohtrix Point Never (projeto experimental do músico Daniel Lopatin) que o soundtrack ganha profundidade. Típico registro em baixa voltagem mas rico em texturas e reverberações, 'Ouroboros' é um tema que traduz um certo vazio melancólico, dentro da paisagem emocional caótica e cheia de distrações, mas que ao invés de soar pesada ou sufocante resulta num respiro reflexivo. É quando o barulho simplesmente silencia e o ouvinte flutua numa ambiência climática, propositalmente dispersiva, para enxergar com alguma nítidez o vazio dos próprios sonhos...
Disponível para audição na Web, sua trilha sonora carrega todas as tintas Pop que Coppola sabe bem formatar - e quem já assistiu seus filmes sabe quão interessante podem ser suas compilações. Mas embora o repertório escolhido seja alinhado ao tema (investindo basicamente em hip-hop e música eletrônica) e traga nomes para 'causar barulho' (como M.I.A.; Azealia Banks; Frank Ocean; e Kanye West - 'Power' aliás é uma das melhores faixas) é no trabalho instrumental composto pelo pouco conhecido Oneohtrix Point Never (projeto experimental do músico Daniel Lopatin) que o soundtrack ganha profundidade. Típico registro em baixa voltagem mas rico em texturas e reverberações, 'Ouroboros' é um tema que traduz um certo vazio melancólico, dentro da paisagem emocional caótica e cheia de distrações, mas que ao invés de soar pesada ou sufocante resulta num respiro reflexivo. É quando o barulho simplesmente silencia e o ouvinte flutua numa ambiência climática, propositalmente dispersiva, para enxergar com alguma nítidez o vazio dos próprios sonhos...
domingo, 23 de junho de 2013
Vir Pra Rua É Compartilhar Energia E Emoção
Qual o valor da bandeira de seu País cintilando no alto de uma haste? Qual o sentido de uma multidão cantando - numa comoção quase assustadora - palavras de uma nova ordem e algum progresso? Quantos ali sabem o que defendem, o que é importante, quiçá o que acreditam? Creio que as pessoas ainda estão desnorteadas pelo levante coletivo ocorrido nas últimas duas semanas, devido ao aumento na tarifa do transporte público, e ainda tentam assimilar assuntos que - embora urgentes - são complexos. Mas é preciso reconhecer que há um esforço da população (ou certa parcela) em interar-se com a política brasileira. Aos poucos, abre-se o leque de temas como a PEC-37 (proposta de Emenda que tira do STF o direito de investigar políticos acusados de corrupção), a diminuição salarial dos políticos e até o famigerado projeto apelido de 'Cura Gay' que tramita em comissão liderada pelo pastor Marco Feliciano no Congresso Nacional. Mas do que tornar-se um especialista nesses assuntos, contudo, a retomada do livre exercício do civismo é (acredito) o melhor resultado das manifestações. É natural que o povo esteja, digamos, 'seguindo a manada' da passeata, afinal ele acabou de acordar. Mas não é o caso, como têm feito alguns, de menosprezar a energia e a volatilidade da multidão. Há uma eletricidade no ar, não gerada diretamente pela violência ou selvageria, e que irmana o sentimento de uma mudança (possível) e gregária. Vir para a rua, juntar-se ao mar de gente, compartilhar energia e emoção não é inútil. Diferente dos que apelam para um (pobre) discurso pseudo-reacionário de rede social, na comodidade do próprio quartinho, a maioria pacífica tem mostrado que quer mudar o dito 'sistema' num escopo coletivo, e não como vândalos saqueadores e individualistas que preferem mudar o sistema... de som e audivisual de suas casinhas!
Sentimental Sim Mas Remido Pela Melódia
Desde o lançamento do albúm 'Eyes Open' (2006), o quinteto escocês Snow Patrol incorre num repetitivo tom épico na produção de suas canções. Às vezes essa escolha resulta em boas faixas (caso da ótima 'Open Your Eyes') em outras termina evidenciando o teor altamente sentimental e lamuriento das letras (sua fórmula, enfim, para alcançar o estrelato). Talvez a singeleza vocal do cantor Gary Lightbody, e o talento dos músicos em burilar melódias, necessite de acordes mais simples, e algum minimalismo nos arranjos, para que possa ser melhor apreciado. Presente no EP 'Called Out In The Dark' (2011), a bela faixa 'My Brothers' exemplifica o quanto a delicadeza (e simplicidade) acústica harmoniza-se melhor ao timbre suave (quase susssurado) do vocalista, e atesta ainda os esforços da banda em criar boas melódias - o que é, ao fim, a qualidade que a redime dos eventuais sentimentalismos nas composições.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Além do Som e Fúria
Nem a Copa do Mundo, ou a novela das oito, muito menos o Oscar de filme estrangeiro. Poucos vezes o brasileiro sentiu tanto orgulho da própria nacionalidade quanto nesses últimos dias. E importante: baseada num tema que dificilmente pauta as rodas de discussão em nossa sociedade - a política. Sim, porque, a máquina publicitária e midiática costume lançar o País num transe alienado e festivo - de finais de campeonato à último capítulo de dramalhões que o expectador sabe bem como terminará - e a população tola acredita nessas fantasias ou felicidades fugazes como se estas pudessem modificar suas vidas. Levantar a voz pra que se nada mudará, certo? Num lance tão inesperado quanto suspreendente, o povo escolheu reescrever sua própria história (subvertendo até mesmo certos clichês) e transformá-la em algo realmente viva, intensa, vibrante, reverberando e repercutindo pelas fortes ondas de protestos iniciados na última semana. Há uma tensão no ar e ela não parece ser causada apenas pelo recente aumento das tarifas de ônibus e metrô em São Paulo. A vida está cara, as perspectivas de futuro cada vez mais distantes no horizonte, insegurança, baixos salários, trânsito, impostos e pouco retorno são alguns dos muitos ingredientes que estão fervendo no caldeirão. O quebra-quebra ninguém vai apoiar mas ele é (embora não justificável) a manifestação óbvia de um sentimento represado. E tem a raiva. E motivos pra raiva não faltam.
Há alguns detalhes que chamam atenção. É fascinante notar, por exemplo, a deliberação com que os manifestantes negaram o chamado 'politicamente correto' - um mal dos nossos tempos. Vivemos num época nefasta, em que tentam enquadrar (e esterilizar) tudo - até mesmo as passeatas públicas. Nesse contexto, o único local viável para protestar seria em ginásios ou estádios de futebol, com prévio alvará de autorização ou licença - sem barulho, sem gritos, sem cartazes, sem trânsito nas imediações - sem qualquer ato que de qualquer modo pudesse perturbar a ‘regularidade’ da vida de qualquer pessoa que não esteja de acordo com os motivos da manifestação. Ora, manifestação é interromper a rua, a via, o trânsito em geral! É se apropriar da via pública afim de chamar atenção para uma causa e instalar o confronto através do barulho e cordão-humano. Que alguns poucos compreendam de maneira apenas turva a 'arma' à ser empunhada durante o protesto é um revés triste. Mas, que a grande maioria dentro da multidão de manifestantes tenha entendido a necessidade em desviar da rota óbvia dos palcos de protesto (como a Av Paulista) e mirado certeira em prédios institucionalizados - como o Palácio dos Bandeirantes (sede do Governo) ou a Prefeitura de SP - mostra que há um avanço na percepção de que é preciso ser mais estratégico do que um punk bobão - e de botique (que estimula o vandalismo apenas para sacar o Iphone e postar a imagem no Facebook, logo após sloogan 'Desculpe o transtorno, mas estamos mudando o País!').
Vale citar ainda as mensagens nos cartazes dos manifestantes: uns reclamavam das passagens de ônibus caras, outros da qualidade da educação ou da saúde, muitos ainda protestavam contra a Copa do Mundo e a submissão do Brasil à Fifa. Há tantos temas dignos de reclamação no país, que é natural que ninguém saiba ao certo para que lado atirar primeiro. Aliás, a desorganização dos protestos – em São Paulo, a multidão costuma se dividir em vários pontos da cidade – deixou claro que os atos não estavam sendo “coordenados” com uma agenda pré-definida ou liderados por ninguém, tornando o manifesto não apenas popular mas também genuinamente apartidário. Além de anunciar o nascimento de uma consciência política e de um senso de civismo que muitos julgavam extinto por aqui, os protestos renderam cenas memoravéis. Na mais antológica, uma multidão corria por cima do teto do Congresso Nacional, em Brasília, sintetizando a beleza e o simbolismo que as manifestações representaram. Ali estavam pessoas que não se sentiam representadas por quem ocupava aquele prédio, mostrando ao fim quem são os verdadeiros donos daquilo. São eles, somos Nós!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Quando Até o Dia Parece Noite
O silêncio da noite costuma ser o ajuste providêncial dos que precisam de descanso. Mas torna-se também o martírio dos que vêm-se preso a certos sentimentos, certos pensamentos, que não permite qualquer alívio madrugada adentro. Tudo o que o dia máscara em distrações fúteis perde qualquer utilidade com o pôr-do-sol. A inquietação parece formar-se dentro da escuridão, ecoando palavras, projetando lembranças, tecendo linhas de raciocínio confusos e assimétricos. Mesmo o teto e as paredes da casa espelham os estranhos jogos de luz e sombra da mente, tornando esse ambiente antes familiar, à cada noite, num novo e desconhecido labirinto. Não adiantara fechar os olhos, porque essas visões tornaram a surgir como vela tremeluzindo dentro do vazio escuro. Tampouco insistir em se cobrir, mudar de posição na cama, acender as luzes para clarear o ambiente - o desassossego não esta fora mais arraigado por dentro. Sair e caminhar, portanto, poderia trazer algum tipo de discernimento - como que precisando ir para longe afim de encontrar 'caminhos' - ou amanhecer tão vazio e cansado quanto na noite anterior. Depois de dois singles precedentes, o The XX lança agora 'Fiction' como faixa de trabalho. De certo, uma boa escolha já que a canção é um dos destaques no repertório do albúm 'Coexist' (atrás apenas de 'Angels', uma das melhores músicas de 2012). Em tons monocromáticos, seu video mostra o baixista Oliver Sim refletindo, dançando e transitando por diferentes lugares. As imagens evasivas e aparentemente dispersas pode incomodar alguns mas é justamente essa a sua proposta: o toque etéreo da melódia, a auto-absorção do músico e a fotografia em preto-e-branco evidenciam uma solidão levemente melancolica mas legitima o suficiente para tingir até mesmo o dia com os tons da noite.
domingo, 9 de junho de 2013
Te Amo Mais Do Que Dizer Te Amo
A vastidão de certas emoções é tão colossal que qualquer tentativa em dimensioná-la terá sempre a sombra do intangível. Recorrer a simplicidade para traduzir o que é intrincado, portanto, facilitaria a tarefa, certo? Nem sempre. Não é raro observar artistas que ora tomam atalhos (banalizando a complexidade das emoções) ora se perdem na construção estilística (que de tão rebuscada resulta fria, hermética e vazia) com prejuízo para a própria obra e para o público! É possível afirmar que o cantor e compositor John Grant recorreu à uma solução fácil em 'Caramel', inspirando-se na sonoridade elegante produzida por bandas como Fleetwood Mac e The Carpenters. Ou ainda que a letra da canção faça analogias convencionais, definindo a paixão através de pequenos gestos - um abraço, uma palavra, um sorriso. Mas é admirável como o artista consegue fazer com que um sentimento tão desmedido soe tão discreto. E legítimo, e sincero. E intenso. Porque embora sutil a paixão aqui ainda é aquela profusão de sensações - toque, gosto, cheiro, cor - sensível, selvagem, movendo-se calmamente embora guiado pela força de sua natureza volátil. "Meu amor é a jóia mais rara/ E ele me soterra com o seu amor"; "Ele me vê com olhos de tigre/ E é aí que eu faço a minha casa"; "Meu amor é calmo/ Mas quando ele me envolve eu me entrego e minha alma alça vôo". Ao passo que pequenas contradições evidenciam as batalhas para construir uma relação, elas servem também como lente de aumento da intimidade (as águas do mar espelham, afinal, o azul do cêu tanto como escondem seu abismo). Qual o prazo, portanto, até que os defeitos de um sufoque o outro? Qual é a validade de um sentimento? Um processo químico detonado e que mobiliza todos os sentidos pode ser confiável? A ponto de pular num vão sem rede de proteção? Valerá a pena, enfim, render-se à tanto tumulto interior, e perder a capacidade de discernimento? O americano John Grant compartilha com àquele poeta português, de que TUDO vale a pena! No entanto, será preciso passar além da dor - e dos medos.
Padrão Musical Contagiante
O melhor de assistir um bom filme (além da experiência em si) é descobrir novos artistas. 'Weekend' (2011) é uma das melhores fitas vista recentemente, e a pesquisa pelos detalhes da produção evidencia ainda mais suas qualidades. Entre tantos destaques sua trilha chama atenção. Fugindo completamente da óbvio, o diretor Andrew Haigh privilegiou artistas (e canções) que não apenas ambientam o enredo mas também contribuem com algum frescor ao projeto (o fato de serem músicos praticamente desconhecidos é elucidativo). Poucos passos atrás do cantor John Grant (o destaque absoluto da trilha) o ascendente duo londrino Hook And The Twin, mesmo recorrendo ao padrão musical oitentista (de sintetizadores e bateria eletrônica) produz algo contagiante em "We're So Light".
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Minha Cor, Minha Flor, Minha Cara
Embora artista muito popular, e que não raro recorra a linearidade como compositor, Nando Reis vez em outra expõem a intimidade com uma clareza (e sinceridade) que torna essas canções mais interessantes que a média. A letra de 'All Star', por exemplo, reflete com muita nitidez o intenso e apaixonado encantamento pela cantora Cássia Eller (a afinidade da dupla, aliás, gerava certa maledicência - na pior delas, cogitou-se que Cássia tinha morrido grávida do cantor!). Os versos ambíguos de 'Nos Seus Olhos', também não passaram desapercebidos. A alternância em primeira pessoa das figuras masculino e feminino, presente no trecho "(...)Meu Deus que homem forte/ Que me contempla/ Sou sua mas não posso ser/ Sou seu mas ninguém pode saber(...)", suscitou dúvidas quanto à sua orientação sexual - que na época tratou de afirmar ser apenas hetero (em entrevista à revista Billboard Brasil, publicada em 2010, contudo, revelou desejar homens e mulheres). Livre de qualquer polêmica, e talvez por esse motivo sem tanta repercussão, 'Espatódea', faixa do albúm 'Sim E Não' (2006), merece também atenção. Nela, o compositor derrama seu amor incondicional (de pai babão) à filhota Zoe. Nando conta: “(...) Um dia ela chegou para mim e falou: Quando é que você vai fazer a música ‘O mundo é bão, Zoézinha’? (ele havia feito uma música para o irmão mais velho dela, ‘O mundo é bão, Sebastião!’). Eu dei uma enrolada mas ela não caiu. Daí fiz essa música. Diferente dos outros filhos, há em nosso caso uma peculiaridade: ela é ruiva. E a música aborda esse nosso laço”. À despeito da forma e conteúdo convencional, a composição cativa justamente pela relação de ternura (entre pai e filha), tão simples quanto sincera, tão intensa quanto delicada. Em tempo: Espatódea é uma árvore que dá uma flor alaranjada - daí brotar os versos “Minha Cor, Minha Flor, Minha Cara”.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Show de Dança
A marca Cirque du Soleil por vezes paga o preço de ser uma… Marca. A sensação de que cada novo espetáculo virou quase um derivativo de si acaba por comprometer os lançamentos do grupo. O fato de terem confiado na coreógrafa brasileira Deborah Colker uma de suas últimas montagens, o elogiado Ovo, é um sinal dessa busca por renovação. E Colker, de energia e criatividade faíscantes, é uma artista apta para apresentar algo novo. À frente da companhia que leva seu nome, Deborah Colker lança-se numa investigação instigante sobre o movimento, a velocidade, desejos e inquietação humana, e embora utilizei elementos da cultural brasileira, seu trabalho não possui viés delimitado (ou mesmo de apelo) nacionalista. Seu interesse é claramente atingir um público amplo pelo magnetismo de suas coreografias, cenários inusitados e contextualizações estéticas. Foi com esse espírito impetuoso (e sem amarras), que ela mudou o foco do tradicional palco horizontal para a ação transcorrendo num paredão de alpinismo em ‘Velox’ (1995), explorou planos e níveis de movimentos dentro e fora de uma roda-gigantesca em 'Rota' (1997) e incorporou à dança o mundo das artes plásticas - com a interação direta entre os bailarinos e as obras utilizadas como cenário - em '4 x 4' (2002) [no mais audacioso dos quatro atos, uma trupe desliza frenética em meio a dezenas de vasos de cerâmica que podem se quebrar a qualquer momento - num exercício de agilidade, precisão milimétrica e delicadeza singular]. O fato de ser a primeira mulher (e brasileiro) a dirigir o Cirque du Soleil, nos 25 anos da companhia canadense, denúncia portanto menos quanto ao sexo e mais pela competência e talento da coreografa carioca.
Vai demorar um tanto ainda para que o público brasileiro possa conferir o espetáculo (viajando pelo mundo, ele deve chegar ao Brasil em 2015!). Um apertivo é sua trilha sonora disponível para audição na web. À cargo do produtor musical Berna Cepas, o trabalho demora a alinha-se no conceito 'universal' de Colker (e da própria companhia circense). Sua música é festiva, de fácil assimilação, e marcada por ritmos brasileiros (como samba, forró, bossa nova, funk carioca, baião e até carimbó) mas a repetição de estilo (que visa reforçar a identidade nacional num contexto estrangeiro) soa por vezes genérica - para não dizer cliché. Sua música ganha destaque mesmo é quando conduz a diversidade e multicolorido de sons à uma passarela sem distinção de fronteiras. 'Orvalho', por exemplo, é um tema cuja produção não se escora em elementos 'exóticos' porém apura sua melódia (recorrendo a arranjos de corda e uma discreta programação eletrônica) com uma inteligência e sensibilidade que qual fosse seu idioma ele não daria conta em traduzir tamanha beleza.
Vai demorar um tanto ainda para que o público brasileiro possa conferir o espetáculo (viajando pelo mundo, ele deve chegar ao Brasil em 2015!). Um apertivo é sua trilha sonora disponível para audição na web. À cargo do produtor musical Berna Cepas, o trabalho demora a alinha-se no conceito 'universal' de Colker (e da própria companhia circense). Sua música é festiva, de fácil assimilação, e marcada por ritmos brasileiros (como samba, forró, bossa nova, funk carioca, baião e até carimbó) mas a repetição de estilo (que visa reforçar a identidade nacional num contexto estrangeiro) soa por vezes genérica - para não dizer cliché. Sua música ganha destaque mesmo é quando conduz a diversidade e multicolorido de sons à uma passarela sem distinção de fronteiras. 'Orvalho', por exemplo, é um tema cuja produção não se escora em elementos 'exóticos' porém apura sua melódia (recorrendo a arranjos de corda e uma discreta programação eletrônica) com uma inteligência e sensibilidade que qual fosse seu idioma ele não daria conta em traduzir tamanha beleza.
Da Arte de Copiar, Imprimir & Scanear
Num cenário dominado por novas bandas que utilizam o mesmíssimo cruzamento entre rock independente e a MPB do Los Hermanos - sonoridade que fora burilada em trabalhos como 'Bloco do Eu Sozinho' (2001) e, principalmente, 'Ventura' (2003) - os gaúchos do Apanhador Só, diferente do que andou-se apregoando por aí, não apresentam novidades à essa cena musical - ao contrário, são apenas mais uma mostra da influência quase sufocante do quarteto carioca. Seu homônimo albúm de estréia, lançado em 2010 (e presente em várias lista dos melhores do ano), beira o irritante ao emular sem sutilezas o trabalho da banda de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarantes, e suas letras 'sensíveis' e pouco inspiradas provocam mais crises - de humor - que embevecimento pela poesia ('Nescafé', de versos absurdos como 'Eu cuspo nescafé/ e você chora leite de manhã', é um prato cheio a comédia involuntária!). “Despirocar”, single do recém lançado 2º disco do grupo, 'Antes Que Tu Conte Outra', sinaliza uma possível mudança. Com arranjos dissonantes, vocais tanto quanto perturbados e postura um pouco mais agressiva, a canção pode causar estranhamento em quem estiver esperando pelas harmonias confortantes do primeiro albúm porém sugere evolução musical. A banda parece também disposta a abraçar sem medo a canastrice de suas letras (o amalucado título da música é um óbvio indicativo). E seu videoclipe, protagonizado pelo vocalista Alexandre Kumpinski, consegue mostrar não apenas um surto dentro da tensa vida urbana (a lente em close constante no rosto do músico deixa, aliás, os cenários ao ar livre claustrofóbicos) mas traduzir os sobressaltos psicóticos com muita competência. A sequência delirante do voo e mergulho da câmera numa piscina (quando a música também muda de ambientação) é desde já uma das melhores imagens do ano.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Little Dragon - Twice
Oriundo da Suécia, o quarteto Little Dragon produz um som que mescla linhas eletrônicas com influências de trip-hop e R&B contemporâneo. O grupo gravou seu primeiro disco em 2007 e poderia muito bem ter se encaixado na onda do trip hop (caso ela não tivesse ocorrido duas década antes). De fato, a sonoridade produzida pelo Little Dragon trás proximidade à trabalhos de artistas como Morcheeba (ambos aliás utilizam praticamente as mesmas influências), Massive Attack e Portishead (filtrando - no caso dos dois últimos - as batidas sorumbáticas por ambiência mais suave). A maneira explicita como evidência certas influências, contudo, mostra que a banda ainda procura uma identidade musical. Mas pela qualidade de certas canções, além de colaborações com outros nomes (como Gorillaz e DJ Shadow) é bem possível que venha a encontrar. Seu trabalho vem chamando atenção também de cineastas e diretores de televisão. Lisa Cholodenko incluiu a bela 'Fortune' na trilha de seu filme 'Minhas Mães e Meu Pai' e a climática 'Twice' foi utilizada nas séries 'Grey's Anatomy' (5ªTemporada) e no desfecho do 5ºepisódio de 'Revenge' (1ªTemporada), atualmente exibida pela Rede Globo. A música serve como boa porta de entrada para o trabalho da banda. O vocal contido da cantora Yukimi Nagano, o hipnótico fraseado ao piano e a singeleza da técnica do teatro de sombras - nas imagens do video (não oficial) de 'Twice' - produz uma pequena peça de beleza lúdica singular.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
A Naftalina Que Soa Agradável
Um dos compositores mais onipresentes nas décadas de 70 e 80, listados nos créditos de inúmeros filmes e produções televisivas, o britânico Stanley Myers teve nome e obra praticamente esquecidos com o passar do tempo. Boa parte de sua produção nem sequer foi (re)lançada em CD e mesmo os arquivos em Vinyl são peças raras de encontrar na internet. É possível afirmar que parte desse esquecimento tenha ocorrido porque Myers se associou a filmes de pouco relevância artistica (sobretudo na década de 80), e quando essas obras inevitavelmente desapareceram, levaram consigo a música criado pelo compositor. Daí o interesse despertado pelo albúm 'The Deer Hunter... And Other Themes', compilação que reune alguns de seus principais temas para cinema e tv. O trabalho revela não apenas seu lado prolífico mas também versátil, onde famigerados temas - como o dedilho tristonho de 'Cavatina', a evocativa peça para violão do filme 'O Franco Atirador' (1978) e a homônima faixa com sintetizadores datados de 'Minha Adorável Lavanderia' (1985) - dividem espaço com obscuros tracks, caso da dramatica 'Eureka' (composição do longa lançado em 1983) e da ritmada 'Prick Up Your Ears' (composta para 'O Amor Não Tem Sexo' de 1987). Myers é um compositor clássico que sabe fazer bom uso de uma orquestra. E é justamente quando abraça esse estilo, próprio de sua formação, e deixa de lado minimalismos ou tendências de gosto dúvidoso, que seu trabalho adquire paradoxalmente algum frescor. Nesse sentido, a suavidade apresentada em 'Diana', tema homônimo realizado para a desconhecida série, lançada pelo BBC em 1984, exemplifica o quanto a escolha pela tradição, a despeito do tom pouco arrebatador, pode soar mais agradável do que a naftalina faz supor.
Somos Todos Um
Antes do sucesso na TV, a história de Bobby já era emblemática para quem estuda a homossexualidade. Para os especialistas, as famílias precisam compreender melhor o assunto, prevenindo tragédias. Famílias de todos os credos e classes sociais ainda encurralam seus filhos gays para quadros de depressão, revolta e desesperança. Estudos alertam que a taxa de suicídios é explosiva entre jovens homossexuais, principalmente entre efeminados, usuários de álcool e drogas, que não resistem a tanta pressão e angústia. Enfrentar esse tipo de tragédia também não é fácil para os familiares - ao contrário. A morte de Bobby, por exemplo, provocou um terremoto em sua conservadora família, e seus parentes se remoeram de culpa até conseguirem - depois de muito sofrimento - encontrar um caminho para superar o trauma. O telefilme dirigido por Russell Mulcahy nem sempre consegue traduzir em imagens o tumulto psicológico de seu protagonista. Por vezes simplista, seu trabalho limita-se a representar de maneira literal o que é comentado em palavras (o protagonista dependurado em fios de alta tensão ou amarrado à arames farpados) não primando pela ousadia e originalidade. Cabe ressalvas também ao roteiro, que pinta um cenário genérico do contexto histórico e não aprofunda fatos importantes - como a AIDS começando a se espalhar e sendo atribuída erronea e exclusivamente ao meio gay. É preciso reconhecer, contudo que as eventuais falhas não tornam a obra um dramalhão. No final das contas, o longa se sustenta mesmo pelo bom desenvolvimento dos personagens e trabalho do elenco - em especial, o jovem Ryan Kelley que se sai bem como o angustiado Bobby, e a veterana Sigourney Weaver, em minuciosa composição da austera Mary Griffith. Seu principal momento, onde comenta a morte do filho, diante de ativistas contrarios à Liberdade Gay, é um típico 'momento do ator' porém devastador o suficiente para verdadeiramente emocionar. Suas palavras ressoam dolorosas mas finalmente iluminados quando, afinal, conclui: “Eu sei porque Deus não ‘curou’ o meu filho. Ele não o curou porque não havia nada de errado para ser curado”.
sábado, 4 de maio de 2013
Sambadi
Em entrevista recente, Ed Motta citou o jovem músico capixaba Lucas Arruda, como a grande surpresa da música nacional em 2013. Segundo ele, Lucas "é a antítese dessa geração que está aí falando coisas em um discurso incompetente." A audição de 'Sambadi', seu albúm de estréia, e com lançamento agendado inicialmente apenas na Europa (mas disponível na Web), revela que os elogios de Motta fazem algum sentido, mesmo que realizado através de um discurso vaidoso. Artista que cresceu ouvindo o melhor da música negra nacional e internacional, Lucas Arruda demonstra insuspeito domínio desse idioma, realizando através da mistura de sonoridades - como acid jazz e soul/black - algo simples e sofisticado ao mesmo tempo. Salta aos ouvidos aliás seu preciosismo melódico na produção e impressiona o fato deste ser apenas o primeiro trabalho. E é natural, portanto, que - com essa espécie de cartão de visitas que todo estréia adquire - o músico queira expor o máximo de informações de sua bagagem musical. No repertório do disco, por exemplo, encontramos as linhas de guitarra da dupla Lincoln Olivetti & Robson Jorge; o funksoul da Banda Black Rio; o sambajazz da ótima - e infelizmente esquecida - banda brasileira Azymuth; o Fender Rhodes de João Donato; o vocal instrumental de Ed Motta (os álbuns 'Dwitza' e 'Aystelum' são primos-irmãos de 'Sambadi'); a versatilidade multintrumental de Stevie Wonder; e até uma versão da clássica 'Who's That Lady' do grupo Isley Brothers. É divertido seguir as pistas musicais deixadas pelo caminho, e absolutamente prazeroso envolver-se pela deliciosa sonoridade das canções, mas a reverência à trabalhos alheios também carrega seu ônus. O problema não esta nas referência - à rigor, exemplares - mas na maneira excessiva (e um tantinho genéricas) como são emuladas. Algo que causava também certo desconforto nos primeiros trabalhos de Max de Castro, Jair Oliveira e Silveira, lançados pela gravadora Trama no início dos anos 2000 (e não por acaso, também elogiados por Ed Motta).
Todos os artistas citados, de uma maneira ou outra, bebem da mesmíssima fonte, a soul music. A critica de Motta pode até sugerir uma defesa pelo gênero mas suas intenções são menos nobres do que faz supor. Talento e bons trabalhos não tem faltado na música atual - ao menos, para quem tem disposição ao garimpo - algo que certamente não falta a Ed Motta). Que narciso ache feio aquilo que não é espelho é comum dentro do meio artistico, mas reconhecer as qualidades de um de seus pares pela mera afinidade de estilo acaba tendo o mesmo valor que uma critica. Se há algo que deve ser valorizado com 'Sambadi' é o surgimento de um músico capaz de urdir com competência a sonoridade que norteou até aqui sua vida. E pela eficácia do resultado, bem possível de criar um estilo próprio. Para que isso aconteça, no entanto, terá de ir além de citações já catalogadas e criar sua própria gramática (e, espera-se, sem tanto ego)...
Todos os artistas citados, de uma maneira ou outra, bebem da mesmíssima fonte, a soul music. A critica de Motta pode até sugerir uma defesa pelo gênero mas suas intenções são menos nobres do que faz supor. Talento e bons trabalhos não tem faltado na música atual - ao menos, para quem tem disposição ao garimpo - algo que certamente não falta a Ed Motta). Que narciso ache feio aquilo que não é espelho é comum dentro do meio artistico, mas reconhecer as qualidades de um de seus pares pela mera afinidade de estilo acaba tendo o mesmo valor que uma critica. Se há algo que deve ser valorizado com 'Sambadi' é o surgimento de um músico capaz de urdir com competência a sonoridade que norteou até aqui sua vida. E pela eficácia do resultado, bem possível de criar um estilo próprio. Para que isso aconteça, no entanto, terá de ir além de citações já catalogadas e criar sua própria gramática (e, espera-se, sem tanto ego)...
sábado, 13 de abril de 2013
Através dos sentidos..
Riff sutil de guitarra, toque etéreo de
bateria, arranjos de sopro não vistosos (mas muito bonitos): 'Burn Girl
Prom Queen' pertence àquele tipo de canção que desperta uma variação
complexa de sentimentos, com sua ambiência produzida
em cima de timbres e texturas. Esta é uma caracteristica comum a quase
toda obra dos escoceses Mogwai, que desde sua estréia em 1997, com o
albúm 'Mogwai Young Team', trafegam pelo post-rock (subgênero do rock
alternativo com elementos de jazz, música eletrônica e rock
progressivo). O que chama atenção alías no gênero é sua estimulação -
por vezes excessiva e quase sempre arriscada - de uma 'paisagem sonora'
com pouca alternância de ritmos (algo que pode ser atentamente apreciado
como sutilmente ignorado, conforme a escolha do ouvinte). Podemos
experimentar desde emoções trágicas e altamente dramaticas à felicidades
arrebatadoras e banais; ou simplesmente contemplativas, que acalmam a
alma. E claro - o tédio mortal! Tudo é subjetivo à quem ouve e se deixa
levar pela melodia...
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