quarta-feira, 8 de maio de 2013

Somos Todos Um


Bobby Griffith, teve sua homossexualidade revelada aos 16 anos, e durante quase quatro anos sofreu pressão da família para refrear seus impulsos sexuais. A mãe, religiosa fervorosa, não admitia a condição do filho, ao qual denominava de doença, ou aberração, e contra qual usava a Bíblia para respaldar seus preconceitos. Em 27 de agosto de 1983, Bobby subiu na grade de um viaduto, refez mentalmente toda sua trajetória até ali e tendo apenas o eco das palavras da matriarca na cabeça - 'eu não quero ter um filho gay' - saltou sobre uma autoestrada, aos 20 anos, morrendo instantaneamente ao ser atropelado por um caminhão. Os questionamentos de Bobby a Deus, suas frases de auto rejeição baseados nos ensinamentos que recebeu, deixados em um diário, apontam claramente como a sua religiosidade em uma igreja que o condenava ao inferno e a falta de apoio da família foram cruciais em sua decisão de acabar com a própria vida. Sua história gerou a produção de um livro, "Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son", de Leroy Aarons, sem lançamento em português, e também de um longa realizado para televisão.

Antes do sucesso na TV, a história de Bobby já era emblemática para quem estuda a homossexualidade. Para os especialistas, as famílias precisam compreender melhor o assunto, prevenindo tragédias. Famílias de todos os credos e classes sociais ainda encurralam seus filhos gays para quadros de depressão, revolta e desesperança. Estudos alertam que a taxa de suicídios é explosiva entre jovens homossexuais, principalmente entre efeminados, usuários de álcool e drogas, que não resistem a tanta pressão e angústia. Enfrentar esse tipo de tragédia também não é fácil para os familiares - ao contrário. A morte de Bobby, por exemplo, provocou um terremoto em sua conservadora família, e seus parentes se remoeram de culpa até conseguirem - depois de muito sofrimento - encontrar um caminho para superar o trauma. O telefilme dirigido por Russell Mulcahy nem sempre consegue traduzir em imagens o tumulto psicológico de seu protagonista. Por vezes simplista, seu trabalho limita-se a representar de maneira literal o que é comentado em palavras (o protagonista dependurado em fios de alta tensão ou amarrado à arames farpados) não primando pela ousadia e originalidade. Cabe ressalvas também ao roteiro, que pinta um cenário genérico do contexto histórico e não aprofunda fatos importantes - como a AIDS começando a se espalhar e sendo atribuída erronea e exclusivamente ao meio gay. É preciso reconhecer, contudo que as eventuais falhas não tornam a obra um dramalhão. No final das contas, o longa se sustenta mesmo pelo bom desenvolvimento dos personagens e trabalho do elenco - em especial, o jovem Ryan Kelley que se sai bem como o angustiado Bobby, e a veterana Sigourney Weaver, em minuciosa composição da austera Mary Griffith. Seu principal momento, onde comenta a morte do filho, diante de ativistas contrarios à Liberdade Gay, é um típico 'momento do ator' porém devastador o suficiente para verdadeiramente emocionar. Suas palavras ressoam dolorosas mas finalmente iluminados quando, afinal, conclui: “Eu sei porque Deus não ‘curou’ o meu filho. Ele não o curou porque não havia nada de errado para ser curado”.


 

Um comentário:

Allan Johan disse...

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