Já foi dito que Lawrence é um criador de sonhos, devido a arquitetura imagética e onírica de suas canções. Quem entrou em contato com suas primeiras obras não ousa discordar, neste caso, já que é exatamente essa impressão deixada depois de ouví-las. Em 'Somebody Told Me', tema extraordinário do ótimo álbum ‘The Absence Of Blight’ (2003), e que faz parte da trilha do longa ‘O Céu de Suely’, o artista cria uma concha harmônica para acalentar o ouvinte enquanto o conduz calmamente para um cenário de sentimentos no escuro. Mas perscruta cada canto da alma de maneira tão obstinada que chega a contrariar toda sua subjetividade. A tenacidade e minimalismo com que suas texturas eletrônicas vasculham o inconsciente emocional, contudo, não servem como um farol em meio a escuridão (afim de obter, por exemplo, revelações como resposta). Antes enreda o ouvinte por uma viagem particular, a um ponto remoto, tendo como destino a gênese das emoções esquecidas (e cujas lembranças nem sempre é fácil de ser retomada).
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
A Gênese da Emoção
Tenho uma dívida eterna com o cineasta brasileiro Karim Ainoüz por me apresentar o alemão Peter M. Kersten, ou como é conhecido nas pistas, o Dj Lawrence. Utilizando um dos temas do artista no magnífico 'O Cêu de Suely', o diretor provou ser um ouvinte atento, escolhendo à dedo uma canção praticamente obscura, mas perfeita para pontuar os conflitos da protagonista de seu filme. Expoente do chamado 'Minimal Techno', uma variação desacelerada e 'emocional' da música eletrônica, o gênero encontra no músico talvez seu maior expoente. Este estilo costuma substituir o ritmo (dançante) pelas harmonias climáticas, buscando estimular o con-tato sensorial em detrimento da racionalização excessiva na música. Em geral, é um tipo de produção que exige sucessivas audições para perceber - e melhor apreciar - uma intrincada amálgama de linhas e camadas sonoras. É também uma proposta arriscada pois as possibilidades desse conceito se tornar tanto uma manipulação brilhante das emoções inconscientes (através de ecos eletrônicos) como num decalque de experimentalismo pedante (urdido pela repetição infinita de fraseados melódicos) é extremamente tênue. O próprio Lawrence não conseguiu escapar desse risco, incorrendo fatalmente na 2ªopção com os últimos trabalhos. 'Until Then, Goodbye' (2009) & o recente 'Films And Windows' (2013) são albúns cujo repertório mais cansam que inebriam o ouvinte. Possuem poucos momentos de vislumbre à verve dos primeiros discos.
Já foi dito que Lawrence é um criador de sonhos, devido a arquitetura imagética e onírica de suas canções. Quem entrou em contato com suas primeiras obras não ousa discordar, neste caso, já que é exatamente essa impressão deixada depois de ouví-las. Em 'Somebody Told Me', tema extraordinário do ótimo álbum ‘The Absence Of Blight’ (2003), e que faz parte da trilha do longa ‘O Céu de Suely’, o artista cria uma concha harmônica para acalentar o ouvinte enquanto o conduz calmamente para um cenário de sentimentos no escuro. Mas perscruta cada canto da alma de maneira tão obstinada que chega a contrariar toda sua subjetividade. A tenacidade e minimalismo com que suas texturas eletrônicas vasculham o inconsciente emocional, contudo, não servem como um farol em meio a escuridão (afim de obter, por exemplo, revelações como resposta). Antes enreda o ouvinte por uma viagem particular, a um ponto remoto, tendo como destino a gênese das emoções esquecidas (e cujas lembranças nem sempre é fácil de ser retomada).
Já foi dito que Lawrence é um criador de sonhos, devido a arquitetura imagética e onírica de suas canções. Quem entrou em contato com suas primeiras obras não ousa discordar, neste caso, já que é exatamente essa impressão deixada depois de ouví-las. Em 'Somebody Told Me', tema extraordinário do ótimo álbum ‘The Absence Of Blight’ (2003), e que faz parte da trilha do longa ‘O Céu de Suely’, o artista cria uma concha harmônica para acalentar o ouvinte enquanto o conduz calmamente para um cenário de sentimentos no escuro. Mas perscruta cada canto da alma de maneira tão obstinada que chega a contrariar toda sua subjetividade. A tenacidade e minimalismo com que suas texturas eletrônicas vasculham o inconsciente emocional, contudo, não servem como um farol em meio a escuridão (afim de obter, por exemplo, revelações como resposta). Antes enreda o ouvinte por uma viagem particular, a um ponto remoto, tendo como destino a gênese das emoções esquecidas (e cujas lembranças nem sempre é fácil de ser retomada).
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Emoção Genuína em Meio ao Clichê
Um dos artifícios para rápida identificação de personagens em novelas é recorrer a uma canção. Quanto mais básica e de fácil assimilação melhor. Se os papéis da história a ser contada serem de um casal a escolha, portanto, será de uma inevitável balada. O novo folhetim das 18hs, 'Jóia Rara', que estreou no último dia 16, recorre a esse manjadíssimo artifício (qual novela, afinal, não se utilizará dele?) mas o faz com alguns acertos. À começar, pela escolha de um tema quase desconhecido do grande público. 'Nascente' é, na verdade, um dos destaques do albúm 'Clube da Esquina 2' (1978), continuação do clássico lançado em 1972. A letra composta por Murilo Antunes e Flavio Venturini é um pequeno poema, derramado em lirismo, onde a elegia amorosa se converte numa inusitada referência aos prazeres físicos - o amor púdico e contemplativo de uma clara estrela convertido em pulsações de desejos e paixões, ardentes. Por fim, a interpretação sempre impecável do cantor Milton Nascimento garante a música aquele tipo de registro emocional comedido, discreto e sem resvalar (jamais) ao sentimenlismo banal. Essas qualidades contam muito quando o assunto é novela, um gênero que não prima pela sutileza no trato das emoções. Idealmente, espera-se que a canção não venha sofrer pela reprodução exaustiva como invariavelmente acontece nos folhetins (e de quebra, também fazer o público sofrer com a modorra!). E verdade seja dita, por maiores que sejam as qualidades de uma canção, ela dificilmente resiste a estrutura suscessiva, repetitiva, somada tanta manipulação emocional. Portanto, espere transformar o amor que possa sentir pela canção em verdadeiro ódio nos próximos meses! Enquanto isso não ocorre, tendo em vista o frescor da novidade, é possível apreciar (sem reservas) a junção habilidosa, realizada pela competente diretora Amora Mautner, entre imagem (lindamente fotografada), melódia e (belas) vozes. O video abaixo comprova, enfim, a máxima de que um bom tema (quando bem utilizado) pode, sim, transformar a simplicidade de um instante (ou mesmo clichê) num momento luminoso, quase arrebatador. E definitivamente, este é o caso da canção e da cena em destaque.
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