terça-feira, 1 de outubro de 2013
Emoção Genuína em Meio ao Clichê
Um dos artifícios para rápida identificação de personagens em novelas é recorrer a uma canção. Quanto mais básica e de fácil assimilação melhor. Se os papéis da história a ser contada serem de um casal a escolha, portanto, será de uma inevitável balada. O novo folhetim das 18hs, 'Jóia Rara', que estreou no último dia 16, recorre a esse manjadíssimo artifício (qual novela, afinal, não se utilizará dele?) mas o faz com alguns acertos. À começar, pela escolha de um tema quase desconhecido do grande público. 'Nascente' é, na verdade, um dos destaques do albúm 'Clube da Esquina 2' (1978), continuação do clássico lançado em 1972. A letra composta por Murilo Antunes e Flavio Venturini é um pequeno poema, derramado em lirismo, onde a elegia amorosa se converte numa inusitada referência aos prazeres físicos - o amor púdico e contemplativo de uma clara estrela convertido em pulsações de desejos e paixões, ardentes. Por fim, a interpretação sempre impecável do cantor Milton Nascimento garante a música aquele tipo de registro emocional comedido, discreto e sem resvalar (jamais) ao sentimenlismo banal. Essas qualidades contam muito quando o assunto é novela, um gênero que não prima pela sutileza no trato das emoções. Idealmente, espera-se que a canção não venha sofrer pela reprodução exaustiva como invariavelmente acontece nos folhetins (e de quebra, também fazer o público sofrer com a modorra!). E verdade seja dita, por maiores que sejam as qualidades de uma canção, ela dificilmente resiste a estrutura suscessiva, repetitiva, somada tanta manipulação emocional. Portanto, espere transformar o amor que possa sentir pela canção em verdadeiro ódio nos próximos meses! Enquanto isso não ocorre, tendo em vista o frescor da novidade, é possível apreciar (sem reservas) a junção habilidosa, realizada pela competente diretora Amora Mautner, entre imagem (lindamente fotografada), melódia e (belas) vozes. O video abaixo comprova, enfim, a máxima de que um bom tema (quando bem utilizado) pode, sim, transformar a simplicidade de um instante (ou mesmo clichê) num momento luminoso, quase arrebatador. E definitivamente, este é o caso da canção e da cena em destaque.
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