quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Com A Febre Da Malária

Produzido pela dupla Edson Oda e Alexandre Tommasi, o curta 'Malária' combina técnicas diversas - como quadrinhos, origami, kirigami (arte de cortar papéis), time-lapse (quando os frames do vídeo são capturados entre longos intervalos), ilustrações de nanquim (desenhos que exploram as variações de claro-escuro através das mudanças de densidade) e animação (sim, é pra ficar sem folego mesmo!) - com um roteiro alucinante, onde um jovem mercenário é contratado para matar a Morte e evitar o fim de uma garota que sofre de malária. O que torna o video mais que um mero exercício cinematografico (e franca emulação aos trabalhos do aclamado Quentin Tarantino - sobretudo no uso das músicas de western à la Ennio Morricone e o ritmo frenético da narrativa) é a criatividade sem distinção que aplica na impecável 'mobilidade' da história (com as mãos do diretor guiado os quadros, ligando agilmente um ponto da história ao seguinte) quanto na construção de um enredo relativamente simples mas cuja temporalidade e ironia se mostra refinada. É possível apontar alguma semelhança na temática do roteiro com a apresentada no livro 'As Intermitências da Morte', de José Saramago, onde também se discute a dependência da morte para a manutenção do mundo, mas é preciso reconhecer que o filme é original e tem um desfecho diferente, até pela (curta) duração. Com sua paixão indisfarçável pelo estilo Tarantinesco, Edson Oda (autor do roteiro) faz bela homenagem ao cineasta, burilando ao fim um dialógo sensacional, tal qual o mestre, onde a morte (ou melhor “O” Morte, com vozeirão do excelente dublador Antonio Moreno), reflete sua 'importância' para a humanidade, e não deixa bala sobre bala no tambor de seu revolver. Eis os estilhaços de sua setença: 'Se você me matar em 500 anos não haverá mais espaço para tanta gente na Terra. As pessoas vão se decompor nas ruas. O mundo estará doente, faminto, implorando por morte, ninguém poderá morrer. Suponhamos que você me mate agora, o que você vai fazer amanhã, ordenhar cabritos? Pense: você só recebe o seu ouro quando mata outra pessoa. Sem mim ninguém vai morrer. Eu te dou emprego amigo, demonstre mais gratidão. Tantas moedas de ouro você já não ganhou por minha causa. Aproveite bem essas 30 moedinhas que vão ser as últimas que você vai ganhar, ordenhador de cabritos!'. Maldita Malária!


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