quinta-feira, 26 de junho de 2014

2 + 2 = \o/

Da estreia no hip-hop ortodoxo em 'Rhymin' & Garfunkel' (2012) à algum capricho nas bases (eletrônicas) de 'Largo Jones' (2013), o rapper australiano Paul Williams viu seus dois primeiros registros não obterem a mínima repercussão. Talvez porque a produção desses trabalhos não apresentasse nada diferente do que é despejado as pencas pela indústria todo ano. Como resolver então essa questão, uma vez que o artista possue uma evidente vontade 'pop-star' de ser? Com demonstra o recém lançado 'Songs About Girls' (2014), e disponível para audição na plataforma musical Bandcamp, dá maneira mais simples e direta: apelando à grosso modo ao trabalho de produtores que plagiam 'os plagiadores' da sonoridade criada nos anos 80! Se as canções parecem umas com as outras e o som se mostra despersonalizado, ao menos, Williams se esmera em criar um mínimo 'hit' e que justifique esse álbum de figurinhas conhecidas, com bateria cuspida e refrão pop colado. Nesse quesito, a animada 'Georgia' - não por acaso, a faixa que abre o trabalho - trás aquela manipulação básica mas eficaz que se ouve numa programação de rádio FM. Ou seja, não trás nada de novo, recicla sem meio termo diversos artistas, resulta tão bonitinha quanto dispensável porém delimita suas intenções com clareza. Afinal, a popularidade (fácil) não se alcança com conceitos complicados mas com fórmulas básicas, tipo 2 + 2 = (espera-se) su-ces-so.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Acordes De Alívio Arrematador

Um ponto falho e comum nos soundtrack's atuais é a inserção de um grande volume de track's que pouco contribuem ao repertório. Se a composição de alguns temas são feitos para serem encaixados milimetricamente em algumas cenas o alinhamento dos mesmos num álbum pode resultar sem coesão. Muito porque as diminutas melodias, no geral com pouco mais de um minuto, não trazem atrativos além de uma mera ambiência. O resultado disso é uma enorme quantidade de faixas que além de tornar o repertório arrastado produz uma experiência maçante ao ouvinte. De fato, são poucos os músicos que possuem a síntese demonstrada no trabalho do canadense Mychael Danna, que em segundos consegue evocar acordes especiais, ou a perícia de um Clint Mansell que concentra uma profusão de pequenas melodias em longos temas, dando não apenas densidade a sonoridade como tornando seus discos habilmente enxutos.

Sem previsão ainda de estréia no Brasil, o filme 'Locke' (2013) demonstra ser pelos vídeos de divulgação um thriller tenso e bastante dramático, com parte de sua ação desenrolada dentro de um carro e guiado (em vias de colisão e derrapagem emocional) pelo ator inglês Tom Hardy. Uma pena portanto a partitura do longa, à cargo de Dickon Hinchliffe e disponível para download na Web, soar tão dispersiva e dramaticamente arrefecida. Até mesmo o elogio que se poderia fazer a estrutura sonora auto-controlada e com notas em tom menor resulta vago pois o trabalho melódica não justifica o argumento. Destaque único nesse percurso, e não por acaso alocada no trecho final do score, a climática 'Baby' trás nos acordes a vivacidade presente no desenlace habitual de um enredo (justamente o que falta em todo narrativa da obra musical). Logo, o que se espera do filme são atrativos que vão bem além do mero alívio provocado pelo arremate de um trabalho mediano.


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