Todos os artistas citados, de uma maneira ou outra, bebem da mesmíssima fonte, a soul music. A critica de Motta pode até sugerir uma defesa pelo gênero mas suas intenções são menos nobres do que faz supor. Talento e bons trabalhos não tem faltado na música atual - ao menos, para quem tem disposição ao garimpo - algo que certamente não falta a Ed Motta). Que narciso ache feio aquilo que não é espelho é comum dentro do meio artistico, mas reconhecer as qualidades de um de seus pares pela mera afinidade de estilo acaba tendo o mesmo valor que uma critica. Se há algo que deve ser valorizado com 'Sambadi' é o surgimento de um músico capaz de urdir com competência a sonoridade que norteou até aqui sua vida. E pela eficácia do resultado, bem possível de criar um estilo próprio. Para que isso aconteça, no entanto, terá de ir além de citações já catalogadas e criar sua própria gramática (e, espera-se, sem tanto ego)...
sábado, 4 de maio de 2013
Sambadi
Em entrevista recente, Ed Motta citou o jovem músico capixaba Lucas Arruda, como a grande surpresa da música nacional em 2013. Segundo ele, Lucas "é a antítese dessa geração que está aí falando coisas em um discurso incompetente." A audição de 'Sambadi', seu albúm de estréia, e com lançamento agendado inicialmente apenas na Europa (mas disponível na Web), revela que os elogios de Motta fazem algum sentido, mesmo que realizado através de um discurso vaidoso. Artista que cresceu ouvindo o melhor da música negra nacional e internacional, Lucas Arruda demonstra insuspeito domínio desse idioma, realizando através da mistura de sonoridades - como acid jazz e soul/black - algo simples e sofisticado ao mesmo tempo. Salta aos ouvidos aliás seu preciosismo melódico na produção e impressiona o fato deste ser apenas o primeiro trabalho. E é natural, portanto, que - com essa espécie de cartão de visitas que todo estréia adquire - o músico queira expor o máximo de informações de sua bagagem musical. No repertório do disco, por exemplo, encontramos as linhas de guitarra da dupla Lincoln Olivetti & Robson Jorge; o funksoul da Banda Black Rio; o sambajazz da ótima - e infelizmente esquecida - banda brasileira Azymuth; o Fender Rhodes de João Donato; o vocal instrumental de Ed Motta (os álbuns 'Dwitza' e 'Aystelum' são primos-irmãos de 'Sambadi'); a versatilidade multintrumental de Stevie Wonder; e até uma versão da clássica 'Who's That Lady' do grupo Isley Brothers. É divertido seguir as pistas musicais deixadas pelo caminho, e absolutamente prazeroso envolver-se pela deliciosa sonoridade das canções, mas a reverência à trabalhos alheios também carrega seu ônus. O problema não esta nas referência - à rigor, exemplares - mas na maneira excessiva (e um tantinho genéricas) como são emuladas. Algo que causava também certo desconforto nos primeiros trabalhos de Max de Castro, Jair Oliveira e Silveira, lançados pela gravadora Trama no início dos anos 2000 (e não por acaso, também elogiados por Ed Motta).
Todos os artistas citados, de uma maneira ou outra, bebem da mesmíssima fonte, a soul music. A critica de Motta pode até sugerir uma defesa pelo gênero mas suas intenções são menos nobres do que faz supor. Talento e bons trabalhos não tem faltado na música atual - ao menos, para quem tem disposição ao garimpo - algo que certamente não falta a Ed Motta). Que narciso ache feio aquilo que não é espelho é comum dentro do meio artistico, mas reconhecer as qualidades de um de seus pares pela mera afinidade de estilo acaba tendo o mesmo valor que uma critica. Se há algo que deve ser valorizado com 'Sambadi' é o surgimento de um músico capaz de urdir com competência a sonoridade que norteou até aqui sua vida. E pela eficácia do resultado, bem possível de criar um estilo próprio. Para que isso aconteça, no entanto, terá de ir além de citações já catalogadas e criar sua própria gramática (e, espera-se, sem tanto ego)...
Todos os artistas citados, de uma maneira ou outra, bebem da mesmíssima fonte, a soul music. A critica de Motta pode até sugerir uma defesa pelo gênero mas suas intenções são menos nobres do que faz supor. Talento e bons trabalhos não tem faltado na música atual - ao menos, para quem tem disposição ao garimpo - algo que certamente não falta a Ed Motta). Que narciso ache feio aquilo que não é espelho é comum dentro do meio artistico, mas reconhecer as qualidades de um de seus pares pela mera afinidade de estilo acaba tendo o mesmo valor que uma critica. Se há algo que deve ser valorizado com 'Sambadi' é o surgimento de um músico capaz de urdir com competência a sonoridade que norteou até aqui sua vida. E pela eficácia do resultado, bem possível de criar um estilo próprio. Para que isso aconteça, no entanto, terá de ir além de citações já catalogadas e criar sua própria gramática (e, espera-se, sem tanto ego)...
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