domingo, 9 de junho de 2013
Te Amo Mais Do Que Dizer Te Amo
A vastidão de certas emoções é tão colossal que qualquer tentativa em dimensioná-la terá sempre a sombra do intangível. Recorrer a simplicidade para traduzir o que é intrincado, portanto, facilitaria a tarefa, certo? Nem sempre. Não é raro observar artistas que ora tomam atalhos (banalizando a complexidade das emoções) ora se perdem na construção estilística (que de tão rebuscada resulta fria, hermética e vazia) com prejuízo para a própria obra e para o público! É possível afirmar que o cantor e compositor John Grant recorreu à uma solução fácil em 'Caramel', inspirando-se na sonoridade elegante produzida por bandas como Fleetwood Mac e The Carpenters. Ou ainda que a letra da canção faça analogias convencionais, definindo a paixão através de pequenos gestos - um abraço, uma palavra, um sorriso. Mas é admirável como o artista consegue fazer com que um sentimento tão desmedido soe tão discreto. E legítimo, e sincero. E intenso. Porque embora sutil a paixão aqui ainda é aquela profusão de sensações - toque, gosto, cheiro, cor - sensível, selvagem, movendo-se calmamente embora guiado pela força de sua natureza volátil. "Meu amor é a jóia mais rara/ E ele me soterra com o seu amor"; "Ele me vê com olhos de tigre/ E é aí que eu faço a minha casa"; "Meu amor é calmo/ Mas quando ele me envolve eu me entrego e minha alma alça vôo". Ao passo que pequenas contradições evidenciam as batalhas para construir uma relação, elas servem também como lente de aumento da intimidade (as águas do mar espelham, afinal, o azul do cêu tanto como escondem seu abismo). Qual o prazo, portanto, até que os defeitos de um sufoque o outro? Qual é a validade de um sentimento? Um processo químico detonado e que mobiliza todos os sentidos pode ser confiável? A ponto de pular num vão sem rede de proteção? Valerá a pena, enfim, render-se à tanto tumulto interior, e perder a capacidade de discernimento? O americano John Grant compartilha com àquele poeta português, de que TUDO vale a pena! No entanto, será preciso passar além da dor - e dos medos.
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