Na cena musical dos anos 90 surgiu uma nova categoria de artista que era até então impensável - o DJ popstar. Esse novo grupo significou a popularização da musica eletrônica e que não cabia mais em restritivas raves ou boates, tomando conta da programação em rádios até se tornar uma influente (e lucrativa) vertente pop. Em última análise, a expansão eletrônica vinha para traduzir os novos tempos de uma geração tecnológica, movida pela internet e sua velocidade assustadora. À rigor, nunca deixou de ser a trilha sonora da juventude notívaga mas agora invadia o cotidiano de todos e sem distinção. Entre os que despontaram na época e outros que vieram à seguir, manipulando com maior ou menor competência os mais diversos estilos - trance, house, drum 'n bass, techno, dubstep, etc - estão nomes como Fatboy Slim, David Guetta, Alex Galdino, DJ Antoine e mais recentemente Skrillex e Calvin Harris.
Zedd, nome fantasia do alemão Anton Zaslavski, é o novato da vez nessa seara. Diferente de artistas que conceitualizam suas obras - como Moby e os duos The Chemical Brothers & Daft Punk - Zedd não quer saber de outra coisa além de diversão (outro sinal dos nossos tempos). Descontada a diluição da electro house e dubstep num formato pop facinho, e a sensação algo inconsistente das canções, Zedd faz de sua estreia em 'Clarity' (2012) uma boa desculpa para farrear. À começar pela boa sacada de interligar as três faixas inicias ('Hourglass', 'Shave It Up' & 'Spectrum'), formando uma dançante unidade e trazendo logo de cara o ouvinte para o centro da velocidade. Não demora a surgir outros destaques como 'Clarity' (faixa título), 'Follow You Down' e a ótima 'Codec', em boas manipulações das frequências melódicas. No restante do tempo, Zedd cita suas referências que vão de Skrillex e Justice à outros nomes consagrados. Nada mais sintomático que a inclusão de vocais robotizados em 'Stache', em inevitável alusão a uma das marcas dos franceses Daft Punk, hoje a maior instituição do gênero. No mais, o álbum segue o be-a-bá padrão da musica eletrônica pop atual, produzindo uma ambiência atrativa mas sem delinear maior identidade, sem que isso seja (inicialmente) um problema.
Por fim, temos 'Stay The Night' que nem é a melhor do disco - aliás, a faixa nem entrou na seleção oficial, incluída apenas numa versão deluxe - mas que ganhou um videoclipe tão caprichado que a torna boa divulgadora num trabalho cuja maior pretensão é mesmo produzir uma boa festa. E que feitas as contas consegue criar o clima necessário para uma baladinha (seja numa boate ou no próprio quarto).
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