Com sua ação desenvolvida quase integralmente numa sala de ensaios, o filme dirigido pelo americano Alan Brown é amplamente beneficiado pela expressiva dramaticidade física, com os personagens tateando e explorando o espaço, exprimindo uma linguagem não verbal do toque, da tensão e da explosão de movimento. Os cinco movimentos do título serve não apenas para sublinhar a evolução de uma coreografia mas também como interlúdio narrativo das relações esboçadas pelos dançarinos. É durante esse processo de criação que conhecemos um pouco da rotina pessoal dos personagens.
A dançarina casada que se envolve com o coreógrafo; a mulher solitária e recém separada após uma longa relação; o rapaz solteiro que procura companhia em boates; e um jovem que foge de sua pequena cidade interiorana para buscar uma oportunidade no grande centro urbano. Chip, o garoto de recém completados 18 anos, tenta concretizar sua vocação como dançarino e ao mesmo tempo encontrar uma espécie de redenção particular diante da condenação feita por sua família sobre suas escolhas.
Se o roteiro recai em passos convencionais da auto-descoberta, limitando essa passagem na vida do protagonista apenas a sua nova vivência (homo)sexual, ao menos o roteiro não recorre a elementos 'intensos' para polarizar esse contexto – com abuso de drogas, sexo, excessos nos dramas familiares ou romances complicados – oferecendo uma transformação discreta, rica de nuances e com sutil epifania. É justamente quando filma a turbulência da mudança com o silêncio da linguagem não verbal que a obra alcança seu melhor e sintetiza a beleza delicada nesse rito de passagem.
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